
O meu avô pendurou cd's na cerejeira brava para espantar os melros e os estorninhos e assim dar tempo de eu ter tempo de lá ir comer as cerejas.
O meu avô pendurou cd's na cerejeira brava para espantar os melros e os estorninhos e assim dar tempo de eu ter tempo de lá ir comer as cerejas."It's, as I say, a desire to affirm my faith in life, not in some formal religious way but with enthusiasm, with emotion... It's a rather joyous song (...) I wanted to write something in the tradition of the hallelujah choruses but from a different point of view... It's the notion that there is no perfection, that this is a broken world and we live with broken hearts and broken lives but still that is no alibi for anything. On the contrary, you have to stand up and say hallelujah under those circumstances."
"Depois, o Sol, quando passa / Solta os cabelos, com graça, / Deixa-nos oiro nas mãos..."
E é quando eu não consigo não ter vontade de sair daqui e correr à procura dos sítios onde não haja tempo a contar e onde possa sossegar e meditar no caminho. Onde não existam nem coisas nem circunstâncias interpostas entre aquilo que quero e aquilo que posso ver e onde me possa demorar para rasar o essencial da vocação. É em dias como o de hoje que dou pelo roçagar das penas e me lembro das asas. Apetece-me arrumar as tralhas dos dias, vir à tona e sair a procurar-te e lembrar-me do coração. "Queria - vê lá tu - sentar-me ao teu lado, numa varanda sobre o mar, e escrever um romance que tu pudesses admirar. Era esse o nosso projecto comum: escrever romances paralelos, com os olhos misturados no mesmo mar (...) Há quanto tempo não te arde o coração?"

E vejo-te ir, pequeno, sem tempo de girar contigo esse leme pesado que vai dobrando os cabos da tua vida e lembro-me do compromisso. A torcer por ti.
Até agora a Coca-Cola só fazia bem à diarreia.
Agora faz bem ao espírito, também.
"Estás aqui para seres feliz!"
=)
o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrófes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.
José Luis Peixoto
O poema não se escreve com letras. O poema é quando os amigos se lembram de nós.
Obrigada, Patrícia.
Um beijinho...


Raindrops keep fallin' on my head and just like the guy whose feet are too big for his bed nothin' seems to fit. Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin', so I just did me some talkin' to the sun and I said I didn't like the way he got things done, sleepin' on the job. Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'. But there's one thing I know: the blues they send to meet me won't defeat me, It won't be long till happiness steps up to greet me. Raindrops keep fallin' on my head but that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red. Cryin's not for me. 'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'... Because I'm free. Nothin's worryin' me, It won't be long till happiness steps up to greet me.
Hoy el mar es más azul que el cielo!
No sé por qué, pero necessitaba decírtelo
porque, sentiéndome cansado, sé perfectamente
que me fatiga no viene de la tierra, sino de esse lugar azul,
de ese largo camino extenso que me hace pensar.
...
Hoy el mar es más azul que el cielo!
João Gil / Ricardo Ribeiro / Ruben Alves
(a mim não me faltam caracóis...)