sábado, maio 12, 2007

(Ainda) Fátima Jovem 07

D. Ilídio Pinto Leandro
Bispo de Viseu e Presidente da Peregrinação "Fátima Jovem 2007"
Neste dia e neste lugar saúdo, em vós, caríssimos jovens, todos os jovens de Portugal: aqueles que, como cristãos, vivem a mesma Fé, nos seus grupos e nas suas dioceses, e aqueles que, não vivendo uma relação efectiva com Jesus Cristo, buscam a felicidade e realização pessoal, investindo as suas energias e capacidades na construção de um mundo melhor. Saúdo o Departamento Nacional da Pastoral da Juventude e todo o seu esforço por apontar caminhos e por propor estratégias para, nesses caminhos, convidar todos os jovens a viver a sua juventude cheia de valores, a partilhar em grupo e nos ambientes onde cada um se insere. Neste dia da Mãe, saúdo, convosco, Maria, a Mãe modelo e referência pelo seu amor à vida e à Fonte da Vida que irradia em todos nós vida em abundância. Nela, saúdo e rezo por todas as vossas Mães e por todas aquelas que acolhem a vida com alegria, com entusiasmo, amor, respeito e gratidão.
Celebramos um grande dia – o Fátima Jovem 2007 – com um tema exigente, somente capaz de motivar jovens exigentes e decididos a olhar de frente a vida, a própria, a dos outros e a da sociedade em geral. É um dos temas contra a corrente, que somente se partilha com os amigos e que tem sentido reflectir, somente quando se tem a certeza que se é compreendido. “Renuncia a ti mesmo! Pega na tua Cruz!”
É um tema vocacional no sentido pessoal e comunitário, que nos convida a olhar o texto e o contexto, pois as implicações são mesmo sérias, exigentes, com consequências certas, ainda que, de todo imprevisíveis.
Primeiro, supõe encontrar um ideal e fazer, por ele, uma séria opção. Depois, exige uma correcta estratégia, cortando com o status quo – o de cada um de nós e o dos ambientes que nos tocam e nos quais estamos inseridos…
Qual será esse ideal? É apontado na Palavra de Deus deste Domingo. Começa com um sonho (2ª), termina numa opção (2ª) e concretiza-se numa estratégia (3ª). Qual é o sonho? Ver e acreditar num futuro novo, numa sociedade nova, acabando com o pessimismo e a sina de lamentarmos uma sociedade decadente, velha e ultrapassada. Estamos cheios de conhecer e experimentar soluções falhadas, provocadas pela violência sem horizontes; pela ciência sem consciência; pela técnica sem pessoa e sem alma; pelo fácil sem compromisso; pelo prazer sem amor e sem responsabilidade; pela corrupção sem espírito crítico, sem vergonha, sem emenda e sem respeito pelos outros.
Qual a opção a fazer? Fazermos nossa a opção de Quem está sentado no trono, como nos diz a 2ª leitura – “vou renovar todas as coisas”.
A estratégia?!... Essa é constituída pelas exigências da Nova Evangelização: aventura; sonho e entusiasmo pela novidade; acto de fé na mudança; empenhamento para que tudo aconteça; sentir-se convocado e tornar-se o primeiro aliado da missão. Numa palavra, a estratégia é viver o Mandamento Novo do Senhor em toda a sua exigência, como nos vem descrito no Evangelho.
Caríssimos jovens, dizei a sério: estais satisfeitos com esta sociedade? Quereis continuar este caminho, sem futuro e sem retorno? Achais que é possível mudar e fazer melhor? Quereis empenhar-vos por dar o vosso contributo para uma nova Sociedade?...
Está aqui o segredo para a leitura do tema da nossa Peregrinação: Renuncia a ti mesmo!... Pega na tua Cruz!... É difícil? Sim, mas é possível. Sabeis que temos um Modelo!… O Seu nome é?!... Sim, é Jesus. Ele renunciou a viver a Sua Divindade junto do Pai, encarnando todas as situações dolorosas da Sociedade, do Seu e do nosso tempo; acreditou que era possível e fez a opção mais coerente, embora mais difícil; veio para junto de nós, pegando na Cruz da intolerância, da injustiça, da mentira, da corrupção, da morte… E, fazendo da estratégia o Seu caminho de vida, amou até ao fim e apontou-nos a Sua como a nossa estratégia – “Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”…
Está aqui o caminho para a mudança e para realizar o ideal de uma Sociedade Nova – implantar a Civilização do Amor… Com o Amor virá a justiça, a solidariedade, a paz, o respeito, a alegria, a verdade, o bem, um mundo novo e um futuro melhor… Esta estratégia está no Evangelho de hoje; foi experimentada; deu resultados e está provado que é o único caminho para a mudança… É a aventura do amor recíproco; é o sonho de uma Sociedade justa; é a mudança para uma nova Civilização, a do Amor; é a promessa de um futuro melhor; é a convocatória de todos nós para sermos aliados de uma Nova Evangelização e de uma Nova Igreja… Vós, caríssimos jovens, sois os primeiros destinatários deste convite e desta vocação…
Dizei-me, então, caros jovens: acreditais em Jesus Cristo e nas Suas propostas?... Quereis, ao jeito dos Pastorinhos de Fátima, oferecer-vos para colaborar com Jesus e com a Sua mensagem?... Então, não tenhais medo de mudar os vossos hábitos, se eles são burgueses, velhos e comodistas!... Renunciai a tudo o que é sinal de violência, de hedonismo, de corrupção, de ódio, de vingança, de preguiça, de pessimismo!… Pegai na Cruz do Amor, da solidariedade, da justiça, da coerência, da verdade, da paz e tornai-vos mensageiros e apóstolos desta mudança e desta opção que transformará o mundo, quando (e depois de) transformar cada um e cada uma de vós!…
Renunciai a tudo o que seja sinal de morte, ainda que esteja na moda ou seja o parecer da maioria e pegai na Cruz do amor e sentido da vida, amando e respeitando toda e qualquer pessoa humana, nas suas diferenças culturais, sociais, raciais, políticas ou religiosas!… Renunciai à destruição da família, ainda que pareça mais fácil e seja mais moderno e pegai na Cruz dos valores do matrimónio, da sexualidade, vivida no amor e na entrega, da beleza e grandeza da castidade e da responsabilidade!… Renunciai ao facilitismo e à superficialidade de uma Fé sem conteúdos e sem compromissos e pegai na Cruz da formação permanente e das consequências da Eucaristia e da Oração na vida e nos ambientes!… Que Maria, a Mãe, Aquela que fez a opção de ser acolhedora da Palavra do Pai, dando à luz o Amor tornado Pessoa, em Jesus Cristo, nos ajude a saber pegar na nossa Cruz e a termos coragem para renunciarmos a tudo o que nos impede de fazer as verdadeiras e necessárias opções, ao serviço da urgente mudança e da necessária renovação de todas as coisas. Nós vos pedimos, ó Mãe, que intercedais por nós ao Pai do Céu, pela mediação de Jesus Ressuscitado, vosso Filho, que vive na unidade do Espírito Santo. AMEN!... ALELUIA!...
Uma grande proposta, um grande desafio. Válido para ti e para mim, jovens cristãos, para ti amigo desatento, para vocês colegas e amigos descrentes "aqueles que, não vivendo uma relação efectiva com Jesus Cristo, buscam a felicidade e realização pessoal, investindo as suas energias e capacidades na construção de um mundo melhor". Uma mensagem que, sem nada ter de extraordinário, parece, tantas vezes, tão para lá da nossa vontade. Compromisso é a palavra-chave.
Um texto para guardar e ir relendo.

terça-feira, maio 08, 2007

Fátima Sara 2007

6 de Maio de 2007 , 22:30

É, muitas vezes, difícil começar a escrever sobre coisas muito diferentes. Sobre as coisas que nos fazem felizes, sobre as coisas que não nos fazem tão felizes, sobre as coisas que nos magoam, sobre as coisas que nos restituem a alegria, sobre as coisas do passado, sobre as coisas do presente e sobre as coisas que são planos de futuro.
E enquanto me decido por onde começar, já que é tão difícil começar a escrever sobre coisas tão diferentes, começa a ser tão complicado começar a escrever sobre coisas tão diferentes como são as coisas que mexem connosco, que não seria de admirar que começasse por escrever que, realmente, é, muitas vezes, difícil começar a escrever sobre coisas muito diferentes.
Não tenho dúvidas de que se o peito tivesse um chão que me sustivesse a mim, a meia dúzia de papéis e a um lápis amarelo e preto pouco afiado HB2, seria aí que eu me sentaria encostada ao coração, para escrever no extremo do sentimento, onde estou agora.

(Tenho um zumbido nos ouvidos. Deve ter sido do sol na cabeça. Contento-me com a vulgaridade do diagnóstico. Pois bem…)

Não tenho grande memória. Nunca tive. Há muitas coisas de que não me lembro e tenho pena. Sei que daqui a um tempo vão restar poucas lembranças e que muitas delas só me serão devolvidas pelas imagens, conversas e palavras de outros. Mas não me esquecerei nunca de que tudo aquilo de que não me lembro foi vivido no limiar da plenitude. E isso contenta-me. Muito. Muito!

Fátima Jovem 2007 foi mais uma grande experiência e uma grande experiência em grande. Fomos muitos. Fomos 70. Fomos 700. Fomos milhares.
Começamos por caminhar umas horas. E que difícil que foi o caminho durante a primeira hora. Havia ainda muita energia nas passadas e isso valeu mais naquele terreno incerto e de terra vermelha. Trouxemos na memória do olfacto as lufadas de alfazema, de tomilho e de rosmaninho com que a natureza nos pontuou o caminho. A paisagem era bonita, mas ficou perfeita quando completada por um serpenteado colorido de jovens que começavam uma caminhada, em mês de Maria, rumo à casa de Maria que os acolhe há já muitos anos, sempre por esta altura.
Houve tempo e espaço para muitas coisas. E que fácil que era deixarmo-nos simplesmente conquistar pela natureza que nos envolvia, pelas pessoas que nos rodeavam, pelas notas e palavras misturadas com risos e sorrisos, canções, brincadeiras e muita alegria.
Fizemos opções, como nos exige a Vida a cada instante. Boas, menos boas, cooperantes ou não. Mas todo o caminho que é caminho acaba por nos pôr as dificuldades e as barreiras características que, somadas aquelas que, sem necessidade, lhe acrescentamos, acabam por nos dificultar o percurso. Quem dera que se tenham arrecadado as pedras e que se construam castelos. Um dia.
Já no santuário houve tempo e espaço para nos encontrarmos com Maria e lhe abrirmos o coração. Escolhemos o sítio para nós ideal, deixámo-nos ficar enquanto quisemos.
Fátima tem isto de nos levar até lá sem qualquer esforço. Sem qualquer esforço, vamos por ser assim. Sem sacrifício algum, apesar das plantas dos pés doridas, das bolhas, das pernas cansadas, do frio ou do calor, da fome e da sede, do cansaço de cada um. Mas Fátima leva-nos e nós vamos. Cativa-nos e nós ficamos. Envia-nos e nós voltamos com vontade de regressar. Fátima com jovens chega ao âmago de cada um e chegou ao meu. Ainda me arrepia lembrar-me da meia hora de espera, antes de entrarmos no auditório Paulo VI. Aquele tecto é tão baixo e nós saltámos tão alto. Aquele espaço é tão pequeno e nós gritamos com tanta força. Em cada ano aquela meia hora e o tempo que dispensamos no auditório são diferentes. Em cada ano os muitos que lá estamos, a força com que cantamos, a energia com que saltamos, renovam em mim a esperança nos jovens que somos, mas também a revolta de, sendo tantos e transbordado tantas formas diferentes de energia que conjugadas são quase transcendentes, ainda não nos termos empenhado verdadeiramente na mudança deste mundo.
À noite, a recitação do rosário, como Maria pediu um dia a três crianças, estreitou laços invisíveis e até imperceptíveis entre nós. A oração em grupo faz-nos chegar mais longe com as nossas motivações e desvanece em nós as preocupações, as dúvidas, as nossas dificuldades de cristãos na sociedade de agora, porque somos muitos, porque nos partilhamos e estamos reunidos em nome dEle e em comunhão com o Mundo.
O auditório Paulo VI voltou a acolher a vigília que este ano se centrou no ecumenismo e na cruz ecuménica. E foi bonito. Pôs-nos à prova a vontade com que deixamos Deus estar e ficar entre nós, com que nós vamos querendo estar com Ele.
Eleger um momento marcante deste encontro Fátima Jovem não me é possível. Não procuro a excelência de um momento para lembrar para sempre. Não faço isso com nada. Gosto de ser assim. Gosto de saber maravilhar-me, sem esforço, com todas as coisas e de reconhecer nelas a mão de Deus. Nas mais grandiosas e nas mais insignificantes, nas mais vistosas e nas mais imperceptíveis.
Atentar nos sorrisos ainda tímidos, à partida, de quem vai pela primeira vez, no brilho dos olhos rasos de expectativa de quem já sabe ao que vai, no nervosismo de responsabilidade de quem aposta em nós, nos cheiros do caminho, nas pedras que rolam por baixo das botas e quase me fazem escorregar, nas formas em que, em grupo nos dispomos, ao fazer o caminho, nos rebuçados que partilhaste comigo, na pressão do abraço que me deste, na gargalhada com que me encheste os ouvidos, nas nuvens que ameaçavam chuva, nas encruzilhadas onde já tínhamos discutido caminho, nas palavras que troco com quem ainda não conheço, naquelas que troco com quem já conheço, nas conversas sem sentido, nas piadas sem piada, nas pulseiras vermelhas, nas fitas verdes, nos comboios e “combóiadas”, na luz da minha vela, na procissão de luzes de milhares de velas e da nova perspectiva deste ano, na inclinação amorosa do rosto de Maria, na oração pela mãe que tenho, no silêncio, no cansaço, na tão desejada água quente do banho, no colchão que temos este ano, no repouso, na oração às refeições, nas palavras daquela irmã de sorriso tímido mas tão pleno, no tempo que vão demorar a deixar-te dormir hoje, no teu aniversário, na broa e na chouriça que trouxeste para partilhar connosco, na tua irresponsabilidade que me faz sentir que há mais por onde posso ajudar, na certeza de que tu vais para casa mais preenchida e com vontade de voltar, na certeza de que vocês serão “nossos meninos” um dia, na expectativa de vos mostrarmos como Ele nos basta, na letra das canções, em ti que eu mal conhecia, no teu sorriso transbordante de felicidade e nas histórias de missão que contaste, no diminutivo “Sarinha” com que ainda me tratas, nas ararutas com doce, queijo e fiambre, nas ararutas “com nada”, nos ursinhos vermelhos de comer e nos trajectos esquisitos que percorrem até chegarem ao estômago, na flor que me deste sem me conheceres, nas palavras que não disse, no choro que contive, na desilusão que me causaste, na conversa que ainda não tivemos, nos Magnun que comi e que eram uma doidice, na reflexão na amizade que temos, na certeza de que continuará, na confiança que depositaste em mim, nas parvoíces que disseste e fizeste, na homilia que me fizeste chegar ao coração, nas palavras que usaste, nas questões que levantaste e nos desafios que nos deixaste, na palavra “envio” que repetiste, na perspectiva de “cruz” que nos mostraste, nos milhares de lenços brancos, na palavra “adeus” e no fechar os olhos para sentir sem ver, na cor que predominava, na fotografia de grupo, nos saltinhos tontos e no “um, dois, três”, no fazer o saco e no aperto de nostalgia que aparece sempre nessa altura, na chamada cuidadosa por cada um de nós à entrada do autocarro, na pouca queda que tenho para as cordas e para as palhetas, no caminho de regresso, no lugar que escolheste, nas risadas estridentes, nos teus vários sonos interrompidos, nos voos das canetas de uma ponta à outra do autocarro, nas dedicatórias dos lenços brancos, na chegada à nossa terra e ao nosso ringue, no abraço colectivo no jardim e no “Voa bem mais alto com o “quero tudo abraçado e a cantar para acabar” que nunca falha, na simpatia da boleia para casa, na coincidência de quem parece estar lá de propósito à espera para que o teu carro possa arrancar, na entrada em casa, na docilidade da Laila que me espera, nos saltos dela e nas lambidelas fieis, no barulho das fitas da porta da cozinha que te faz olhar para trás, no beijo em ti mãe porque é o teu dia, nas poucas palavras que disse porque vimos sempre assim, no jantar que esperou que eu chegasse, no turbilhão de sentimentos que tive na cabeça enquanto fazia o saco para voltar a Lisboa, na cama onde estou agora, no zumbido que tenho nos ouvidos e que afinal se deve dever à quantidade infindável de coisas que trouxe e que ainda não organizei nas gavetas da memória, na oração da noite, na certeza de que o sono será tranquilo e de que me vai restabelecer, no dar graças pela possibilidade de ir, ser e estar inteira em tudo o que vivi.
Obrigada a Ti e a cada um.

“Toma a tua Cruz e segue-Me vive sem medo de te dares (…) Pára para veres tudo aquilo que és, é no teu amor que Ele está.”

segunda-feira, abril 30, 2007

Ne me quitte pas.

Ne me quitte pas / Je t'inventerai / Des mots insensés / Que tu comprendras / Je te parlerai / De ces amants là / Qui ont vu deux fois / Leurs coeurs s'embrasser / Je te raconterai / L'histoire de ce roi / Mort de n'avoir pas / Pu te rencontrer / Ne me quitte pas / Ne me quitte pas / Ne me quitte pas / Ne me quitte pas (...)

Jacques Brel

Tenho pensado na memória. E tenho escrito sobre a memória. Somos feitos dessa matéria difícil de descrever, a guardar o que foi melhor e a tentar esconder no seu fundo o que foi pior. Porque tudo nos habita, até o esquecimento. Somos feitos das coisas que vivemos, daquilo que nos disseram ou que dissemos (ou que não nos disseram e que não dissemos), de gestos, muitos gestos, nossos e das "nossas" pessoas em nós. Somos feitos de momentos pequeninos aos quais se calhar não demos nenhuma importância, e que um dia, de repente, percebemos que são aquilo que "cola" uns aos outros todos os outros momentos.

Mafalda Veiga

Hoje estava capaz de... perder a cabeça.

Deixá-la a rolar entre pés e passadas, (quase) sem direcção predefinida, certa de que não deixaria de acertar cada milímetro rolado, de tão desnivelado que está o chão do pensamento.

sábado, abril 21, 2007

Crónica de um ciclo cardíaco em tempo de fisiologia renal

“Assim como solfejo e escalas ainda não são a música…”

Um, dois, três… zUm, dois, três… zUm, dois, três… Há já muito que diástoles e sístoles não se sucedem continuamente, a cada ciclo, neste coração que empenou num compasso ternário exaustivo: Um, dois, três… zUm (bate com a mão na mesa), dois, três…zUm (bate com a mão na mesa e dói), dois, três… zUm (já tenho lágrimas para cair sem saber encaixar uma tercina no primeiro tempo do compasso), dois, três…
A primeira aula de solfejo dói-me, ainda, na pele da palma da mão direita que acusou a aspereza da mesa, já velha e de esquinas farpadas.
E é como a primeira aula de solfejo, o primeiro amor amargado a sério.
Fecha-te o coração numa sala. Senta-te a uma mesa de esquinas falhadas, em que candeeiro único e velho só permite à sala a luz baixa e amarela que dá ao papel pautado a cor dos escritos de Beethoven que pensas lembrar-te de ver nuns filmes. Ainda te assusta o busto desse homem que ter contaram ser surdo e que está pousado na prateleira acima da mesa velha, ao lado do tinteiro antigo e da jarra de flores artificiais, vermelhas escuras do pó.
Nunca soubeste manter por ele uma pena, uma piedade pelo infortúnio que havia sofrido. Criança, ainda, não vias onde poderia estar a genialidade de, sendo surdo, compor música como nenhum outro pleno de todos os sentidos.
Retornada à sala de paredes de um verde-velho escusado, atentas no olhar austero que o busto pousa, agora, em ti. A persistência dele amedronta-te e leva-te os olhos à folha de papel onde, aliás, já os devias ter. Há paciência. Na segunda pauta - porque te ensinam a deixar sempre a primeira em branco - já te rascunham umas notas que são ainda bolinhas pretas e bolinhas brancas, perninhas e pontinhos, dentro de casinhas limitadas, onde te imporão, depois, que imagines dois, três e quatro tempos.
É como a primeira aula de solfejo, o primeiro amor, a sério, sofrido.
Não te permite, por muito tempo, para além do pouco tempo que cabe ao início de qualquer coisa, a dualidade do binário. Esse é simples, bonito até, no início. Um em baixo e expiras, dois em cima e inspiras. É simples, bonito, até. No início, a ponto de poder tornar-se aborrecido.
O piano, já ali, já te promete os três tempos das valsas apaixonadas dançadas nos grandiosos salões das cortes que vês nos mesmos filmes, mas tens que voltar ao binário que, entretanto, acaba, perdendo o encanto inicial dos suspiros prolongados entre o um e o dois.
“Agora vamos ao ternário que é um bocadinho mais difícil!”. Que bocadinho? Alguém perde a noção do difícil, enquanto deixam de te restar dúvidas de que é como a primeira aula de solfejo, a sério, o primeiro amor sofrido.
Vês-te de coração encurralado em casinhas de três tempos limitadas por duas linhas verticais, onde só te é permitida a fuga quando estás ainda na primeira, e por uma íngreme e possivelmente interminável escada em caracol. Depois, ultrapassada essa primeira casinha, desgastar-te-às, a cada outra, a encaixar por antecipação o número imprevisível de notas do compasso seguinte, já que são como casinhas de compassos de conteúdo imprevisto, os dias, a sério, sofridos à conta do primeiro amor a sério.
Não afinas à primeira, mas afinas à segunda.
Não atinas à primeira, nem à segunda e já não partes confiante para a terceira.
E dás por esse coração que solfeja tempo a tempo, nota a nota descompassado do metrónomo, ao lado do busto.
E vês que é como o metrónomo o primeiro amor por quem sofres a sério. Como na tua primeira aula de solfejo.
“É como juntar, ao ternário, o binário!”. Pois é. Mas criança, ainda, no solfejo do amor, não te parece de todo possível. Como será sequer pensável fazer coincidir a rigidez do um dois do metrónomo preciso e teimoso, com três tempos um dois a inspirar, três a expirar já confundidos com um suspiro a que se seguem outros que acabam com o tempo, inevitavelmente, por desacertar?
“É só encaixares três tempos num segundo prolongado de um relógio, sabes?”. Sei, claro. És tu quem sabe, se és tu quem ensina.
Talvez se desvaneça, um dia, o um dois do metrónomo, mesmo que persista a precisão da agulha que oscila rígida entre a esquerda e a direita, numa fluidez inconsistente, qual pêndulo ao contrário que te resgata o olhar e a consciência. Perder-se-à, o um dois, no fundo do fundo do peito – que não me consta que tenha fundo – para onde vão as métricas da vida, não as do coração? Não tens resposta o que não te impede de preferir ficar nessa tua quase certeza.
Que fique, então, suspenso, o um dois, capaz de te despertar a cada três tempos suspirados, eventualmente, fora do segundo prolongado dos ponteiros do relógio, para te lembrar que é como a primeira aula de sofejo, o primeiro amor que sofres a sério.

quinta-feira, abril 19, 2007

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.

"Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto."
Pablo Neruda

sábado, abril 14, 2007

Ele está que está aí...

Outro ano, o mesmo espírito, outro fim-de-semana, a mesma vontade, outra oportunidade, as mesmas propostas, outras dúvidas, o mesmo desafio, outro caminho, a mesma caminhada, outras dificuldades, as mesmas barreiras, outras pessoas, o mesmo caldeirão de emoções e sentimentos, outro encontro, o mesmo estar, outra proximidade, o mesmo lugar, outra aposta, as mesmas expectativas, outro medo, a mesma confiança, outras pessoas, o mesmo ideal, outro grupo, a mesma animação, outras vozes, a mesma canção, outro tempo, o mesmo conforto, outro par de sapatos, o mesmo cansaço, outra vela, a mesma chama, outro chão, o mesmo frio, outra disposição, a mesma vontade, outro calor, o mesmo sol, outras vozes, o mesmo amor, outra t-shirt, a mesma cor, outra terra, a mesma diocese, outros jovens, o mesmo Cristo.
Outra vez Fátima Jovem, a mesma ansiedade.

quarta-feira, abril 11, 2007

Não sei que diga. Não sei que partilhe. Aceitam-se sugestões. Fica a música. Gosto da letra.

Nao vou procurar quem espero, Se o que eu quero é navegar, Pelo tamanho das ondas, Conto nao voltar, Parto rumo à Primavera, Que em meu fundo se escondeu, Esqueco tudo do que eu sou capaz, Hoje o mar sou eu, Esperam-me ondas que persistem, Nunca param de bater, Esperam-me homens que resistem, Antes de morrer, Por querer mais do que a vida, Sou a sombra do que eu sou, E ao fim nao toquei nem nada, Do que em mim tocou, Eu vi, mas nao agarrei, Eu vi, mas nao agarrei, Parto rumo à maravilha, Rumo à dor que houver p'ra vir, Se eu encontrar uma ilha, Paro p'ra sentir, E dar sentido à viagem, A sentir que eu sou capaz, Se o meu peito diz "Coragem!", Volto a partir em paz, Eu vi,mas nao agarrei, Eu vi,mas nao agarrei, Eu vi, mas nao agarrei, Eu vi, mas nao agarrei.

segunda-feira, abril 09, 2007

Em altura de regresso ao trabalho duro...

...demos ouvidos às lições da Mary Popins porque "just a spoonful of sugar helps the medicine go down in a most delightful way!"

sexta-feira, abril 06, 2007

Some sort of window to your right.

Step one you say we need to talk He walks you say sit down it's just a talk He smiles politely back at you You stare politely right on through Some sort of window to your right As he goes left and you stay right Between the lines of fear and blame And you begin to wonder why you came Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life Let him know that you know best Cause after all you do know best Try to slip past his defense Without granting innocence Lay down a list of what is wrong The things you've told him all along And pray to God he hears you And pray to God he hears you Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life As he begins to raise his voice You lower yours and grant him one last choice Drive until you lose the road Or break with the ones you've followed He will do one of two things He will admit to everything Or he'll say he's just not the same And you'll begin to wonder why you came Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life.

quarta-feira, março 07, 2007

De todo na lua.

Nota: reservo-me o direito de gostar desta música e, se tiver que ser, de me comover até às lágrimas. E "mai nada"!

"Sinto dizêêê... qui amo meismo... 'tá ruím p'ra disfarçááá!"

=)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

SARA

Blá blá blá... já lá vai o tempo em que...

"Sara: do hebraico, significa princesa. É uma pessoa predisposta ao sucesso profissional. Sua vontade de vencer é bem maior do que as dificuldades que possam aparecer. É uma pessoa com tendência a enriquecer."


S.A.R.A. - SÍNDROME DE ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA AGUDA

A Síndrome de Angústia Respiratória Aguda (ARDS ou SARA) é uma nova e mais apropriada denominação para a Síndrome de Angústia Respiratória do Adulto (também denominada SARA), pelo menos por 2 razões. Primeiro, porque a SARA foi denominada originalmente síndrome de angústia respiratória do adulto em função de suas similaridades com a RDS (Respiratory Distress Syndrome ou Membrana Hialina) a qual ocorre em crianças prematuras. Este termo provou ter sido um engano, fundamentalmente porque a patologia da SARA e da...
BLÁ BLÁ BLÁ...

Definição de SARA

A SARA é uma constelação clínica de anormalidades fisiológicas e radilológicas, que ocorrem seguindo-se a um identificável cataclisma clínico. Desde que a SARA é uma síndrome e não uma doença específica, qualquer definição de SARA envolve uma arbitrariedadade importante. A maioria das definições de SARA se originaram pelo propósito clínico de pesquisa clínica e tem propagado a ideia de que a SARA é um fenómeno do tudo ou nada. A validade desta hipótese não tem sido testada e a noção de que a SARA é um fenómeno que varia em severidade está crescendo em popularidade. O espectro da SARA pode variar desde um processo subclínico de disfunção pulmonar compensada, a qual é facilmente tratável com oxigénio inspirado enriquecido ou mesmo PEEP, até um severo edema pulmonar não-cardiogênico com insuficiência respiratória irreversível. A opinião recente do consenso Americano-Europeu sobre SARA serve como a mais sensível das definições de SARA.
Predisposições, incidência e índices de sobrevida:

Por quase mais de três décadas, reportes de casos e pequenas séries de uma maneira crescente se referiam de modo mais complexo e associações cada vez menos usuais relacionados com eventos etiológicos da SARA. As maiores categorias de eventos classificados como de maior risco para o desenvolvimento de SARA podem ser divididos em injúria pulmonar directa e injúria pulmonar indirecta.

Predisposição para a SARA:

Em uma série recente, a Síndrome Séptica e o Trauma Múltiplo foram os factores que mais frequentemente levaram à predisposição de SARA, acontecendo em aproximadamente 40 a 25% dos pacientes predispostos. Em pacientes pediátricos, a incidência de SARA continua a se de 12% para pacientes considerados de alto risco admitidos com sepse, pneumonia viral, inalação de gases ou fumo ou ainda quase-afogamento.
Ainda não existe uma terapia específica para a SARA, porém o tratamento suportivo para SARA relacionado com a Síndrome Séptica melhorou a sobrevida destes pacientes em 30 a 40% nos últimos anos. Suchyta et al. relataram que sobrevida de SARA severa passou de 11% para 40% entre 1970 e 1990.

Estudos com o uso de anti-endotoxina ou terapia anti-citocina específica ainda não foram realizados especificamente em pacientes com SARA. Actualmente, estas terapias não provaram trazer beneficio significativo para os pacientes com Sepse.
Outras terapias propostas, tais como reposição de surfactante exógeno, tratamento com inibidores da ciclooxigenase ou Prostaglandina E, ou terapias direccionadas a genes específicos parecem ter benefícios teóricos porém sem eficácia comprovada.
Enfim... sem outros posts de momento!
Uma semana em grande,
S.A.R.A

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Praia das Lágrimas

Ó mar salgado eu sou só mais uma
Das que aqui choram e te salgam a espuma
Ó mar das trevas que somes galés
Meu pranto intenso engrossa as marés
Ó mar da indía lá nos teus confins
De chorar tanto tenho dores nos rins
Choro nesta areia salina será
Choro toda a noite seco de manhã
Ai ó mar roxo ó mar abafadiço
Poupa o meu homem não lhe dês sumiço
Que sol é o teu nesses céus vermelhos
Que eles partem novos e retornam velhos
Ó mar da calma ninho do tufão
Que é do meu amor seis anos já lá vão
Não sei o que os chama aos teus nevoeiros
Será fortuna ou bichos-carpinteiros
Ó mar da china samatra e ceilão
Não sei que faça sou viúva ou não
Não sei se case notícias não há
Será que é morto ou se amigou por lá.


in Auto da Pimenta, Carlos Tê / Rui Veloso

sábado, fevereiro 10, 2007

Não lhe sopres que ela apaga-se e não terei como provar-te que vi a luz por cima do teu ombro, se não vês uma por cima do meu.

Não sou muito de palavras faladas, daí que costume deixar estas reflexões para os lápis até que se consume tudo nos riscos e rabiscos que acabam perdidos nas gavetas, nas caixas dos sapatos onde cabe sempre mais uma pedra, mais uma flor, mas um guião, mais um postal, mais uma rolha, mais uma vela, logo também, mais um papel.
Ultimamente deixo-as, também, para o teclado do computador e para o Paredão (o outro) que já conta com quase seis meses!
Mudei de caixa de sapatos. Aqui, vou-a forrando a papel de mar e de vento. De letras de cantigas, de imagens, de memórias. Enfim, de Vida.
Achei sempre que estes sítios virtuais acabavam por ser, inevitável e simultaneamente, espaços onde, aparentemente, suprimos aquela necessidade humana e inconsciente de nos expormos perante os outros nas mais diversas vertentes mas, também, formas de cobardemente o fazermos.
Talvez a partilha e a troca de ideias sejam bons contra-argumentos. Mas se o podemos fazer em torno de uma fogueira debaixo de um céu estrelado, sentados numa mesa de café ou até, e porque não, nas pedras de um qualquer paredão por esse país fora… porque reduzimos nós estas coisas que fortalecem relações a “blogues”, “aifaives”, “mensengeres” e mais coisas que tais?! Eu não sou, de todo, o melhor exemplo.
Mas, e porque por estes dias vem a propósito e também porque entretanto me perdi já no raciocínio, falemos de Amor.
“Á-ÉME-Ó-ÉRRE”, diria a Clementina que, por sinal, também é conhecida do Caetano.
Gostei quando o texto dizia “amar é uma condição”. Amar é uma condição. Amar é uma condição. Não me canso de dizer. Amar é uma condição.
C-o-n-d-i-ç-ã-o… o Word dá por sinónimo a palavra e-s-t-a-d-o.
Revi nesta frase a minha concepção de Amor. Amor é, para mim, o estado de estar… em Amor. E estar em Amor é o estado de estar bem.
Quem me conhece (muito bem) percebe que às vezes me perco na infinidade de labirintos que trago na cabeça e é-me, realmente, difícil escrever sobre o Amor.
Ontem ouvia falar em projectos de vida que se têm e que, de alguma forma, fazemos por sobrepor a outros possíveis trilhos que podíamos tomar neste intervalo concedido. Eu vou deixando isso a cargo do tempo e dos rumos que vou tomando. Enfim, de Deus. Não que não projecte, bem ou mal, um Amor N-E-O-Q-E-T-A construído por baixo. E aí o Amor é também ele um projecto. Mas de dois. E como todos os projectos para ser bem sucedido exige empenho, muito empenho. Mas de dois.
No entanto, não ponho de parte outras formas de estar em Amor que me sejam solicitadas com o passar do tempo. Daí que não estipule, então, esses estados de estar em Amor que espero que venham, por ir reconhecendo nos meus dias os sinais, as luzes que vão clareando a estrada à frente dos meus pés.
É-nos pedido a cada instante que deixemos o Amor ser o motor do nosso mundo. E por incrível que pareça, sendo algo tão simples, parece tantas vezes tão impossível de concretizar. Mas pergunto-me, tantas mais vezes, o que faço eu nesse sentido!
É, ou devia ser, assim nas relações, nas famílias, nas comunidades, nos trabalhos, no entretenimento.
Permitam-me achar que hoje as relações humanas se perdem nos floreados, quando o essencial é não só aquilo que se vê nos olhos do outro mas o que está para lá dos olhos do outro. Para dentro. E é aí que se distingue o Amor íntegro, aquele que faz brilhar as luzes por cima dos ombros de cada um.
Assim, amar é, realmente, um modo de vida.
E que bom que era se em tudo o que fazemos puséssemos dedicação com muito afecto.
Puséssemos nós muito Amor!

Escreve-nos a nós jovens, assim, o Papa Bento XVI a propósito do Dia Mundial da Juventude deste ano:

Everybody feels the longing to love and to be loved. Yet, how difficult it is to love, and how many mistakes and failures have to be reckoned with in love! There are those who even come to doubt that love is possible. But if emotional delusions or lack of affection can cause us to think that love is utopian, an impossible dream, should we then become resigned? No! Love is possible, and the purpose of my message is to help reawaken in each one of you - you who are the future and hope of humanity-, trust in a love that is true, faithful and strong; a love that generates peace and joy; a love that binds people together and allows them to feel free in respect for one another. Let us now go on a journey together in three stages, as we embark on a “discovery” of love.

Fala-nos, depois, das mais diversas fontes de Amor mas de Deus como a maior delas, mas também das diferentes formas de amar e na Santidade como uma delas e proposta e caminho para todos. Acaba, deste modo, a desafiar-nos a ousar amar onde e naqueles que, por mais diferentes ou mais distantes, nos parecem necessitados de um Amor para o qual não nos sentimos, por vezes, “qualificados”. Mas esse Amor, sendo o único meio para mudar o coração de um único homem e de toda a humanidade, de tornar frutuosas das relações entre homem e mulher, ricos e pobres, culturas e civilizações, é, de facto, aquele onde Deus quer a nossa aposta persistente e destemida.
E, se o há, termina com o segredo do maior Amor que está ao alcance de cada um e no qual reconhecemos a intenção e a dádiva de Deus, e a Eucaristia como a grande escola do Amor.
Amemos mais, amigos!
Vamos lá fazer a parte que nos cabe na construção deste mundo! De Amor!

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/youth/documents/hf_ben-xvi_mes_20070127_youth_en.html

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

"Eu estou a falar de Á - ÉME - Ó - ÉRRE!"

- Clementina, de que é que eu vou falar? Esqueci-me…
- Ah… tu vieste aqui para falar de um certo sentimento, uma maneira especial de sentir que aparece de vez em quando…
- Quando se está doente. Vamos falar de quando nos sentimos mal?
(…)
-
Diz-me lá e essa coisa sente-se com… os dedos dos pés, os ouvidos e o cabelo?!
- (…) mas normalmente quando acontece sente-se com o coraçãooo!

- Coração? Ah… essa é mesmo boa… talvez eu nunca tenha sentido isso antes!
- (…) ou então, João Esquecido, podemos sentir isso também por um amigo muuiitttooo eessspppeeecciiiaallll…
- Bom, deixa-me ver!
E por uma maçã?! Pode-se sentir isso também por uma maçã ou então por um par de botas?!
(…) Estou completamente a leste do que tu estás para aí a falar!
- Por favor João Esquecido!!! Eu estou a falar de A-M-O-R! Amooorr!!!
- Ahhh… amoooorrr!! Então porque não disseste logo?! Eu sei tudo sobre o amor! (…) Claro que sei! Eu tenho quilos de amor dentro de mim! Quilos e quilos… toneladas de amor! E até tenho uma maneira especial de mostrar às pessoas que gosto delas! (…) Assim: íííííííiúúúúúúúúúú

(Não resisti aquele: “Esquecido… João Esquecido…és tããããoooo meiguiiinnnhhhoooooo!”)

* * *

Love Boat Captain take the reigns...

Is this just another day... this God forgotten place? First comes love, then comes pain. Let the games begin... Questions rise and answers fall... insurmountable. Love boat captain, take the reigns and steer us towards the clear... here. Its already been sung, but it cant be said enough. All you need is love. Is this just another phase? Earthquakes making waves... Trying to shake the cancer off? Stupid human beings... Once you hold the hand of love... its all surmountable. Hold me, and make it the truth... That when all is lost there will be you... Cause to the universe I don't mean a thing.

And theres just one word I still believe, and it's... It's an art to live with pain... mix the light into grey (...) And if our lives became too long, would it add to our regret? And the young, they can lose hope cause they can't see beyond today... The wisdom that the old can't give away. Hey... Constant recoil... Sometimes life don't leave you alone. Hold me and make it the truth... That when all is lost there will be you. Cause to the universe I don't mean a thing and there's just one word that I still believe and its Love... Love. Love. Love. Love. Love boat captain, take the reigns... steer us towards the clear. I know it's already been sung... can't be said enough. Love is all you need... all you need is love... Love... Love... Love. Love.

Love Boat Captain - Pearl Jam

www.freewebs.com/somosmedicosporissonao/index.htm

terça-feira, fevereiro 06, 2007

06 | 02 | 07

Autumn and the days grow shorter
Squeezing the same radiance into a smaller space
More intense than ever
The beloved's lust for us.
She must know we too are getting ready to become a poem.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

Por hoje estar bezúúúúúúú.

Where is sea ? I don't know why I was just looking for the sea, But the only thing I found was the desert, A desert around me... What can I see ? You closed my eyes when I just need to go and see... If you want me to be blind, I will stay here, With this desert around me... They would I can see is there nowhere land without you? I don't know where I go in the desert, in the desert... with you... Where is sea ? I don't know why I was just looking for the sea, But the only thing I found was the desert, A desert around me... Where is sea ? I'am alone, I'am dreaming of the sea, But you're not here, next to me... They will I can see is there a nowhere land without you... I do not where I go in the desert... in the desert, With you....

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Receita

Precisava de uma mãozi... tenazinha de um caranguejo destes na minha Vida!
:)

Opção pelo SIM... à Vida!


"Cada criança, ao nascer, traz-nos a mensagem de que Deus ainda não perdeu a esperança no Homem."

Tagore

quarta-feira, janeiro 24, 2007

“Folheei as páginas de um velho dicionário (…) porque eu sei que o meu vocabulário não é rico em boa prosa.”

Vá, não resistas! Quero sentar-te neste banco e abrir-te o jogo.
Fazer um trinta-e-um, dar voltas e cambalhotas no discurso e acabar a dizer-te o que tenho que te dizer.
Começar por esclarecer que há coisas que não se escolhem e que a persistência com que permanecem já me incomoda. Depois, talvez fazer aquele silêncio incessante que me e te aflige. Porque não sou de encadear palavras a fio e essa arte reserva-la tu. E se, entretanto, conseguir emitir mais um vocábulo que seja, mesmo que a medo, diriei que havendo coisas que não se escolhem, também há coisas que não se cobram. Para te dizer que só quero o que queres e aí entra o que sei que não queres.
Mais ainda. Contar-te do esforço infrutuoso, que juro pelos blocos de betão deste caminho, que faço. Mas havendo lutas que não se escolhem, também as há que, cobardemente, não se travam, na infalibilidade da derrota.
Não vou exigir nada para além do tempo suficiente que dê para implorar a tranquilidade do delírio responsavelmente contraído.
Nem sequer me estenderei nas palavras. Se não tenho o engenho de ir fazendo crescer o que digo, presunçosa também não darei tempo ao sol de se pôr e de deixar antever um céu escuro crivado de estrelas e de outros astros passíveis de cairem e de arrastarem com eles os pensamentos que desejava não desejar mas que me vêm à mente, essa inconfidente nos momentos preciosos. Quando damos por eles já se soltaram e rodopiam impacientemente em torno da nossa cabeça para seguirem até onde haja quem os avalie, pondere e concretize. Não. Não tenho mão nesses retalhos e já aqui perdi demais.
Talvez, com sorte, o céu esteja cerrado de nuvens carregadas e faça nevoeiro e frio e eu não tenha que reter na íris o precipitado de astros luzentes. Ou talvez quisesse mesmo as estrelas e o céu limpo para as ver morrer. Mas sem se perderem, entretanto.
Possivelmente, ia querer, então, vê-las cair, seguir-lhes atentamente o rasto com o meu indicador seguro entre o teu indicador e o teu polegar, até que elas rasassem o mar e sucumbissem sem deixarem tristeza. Demoradamente. No curto espaço medido entre os dois primeiros dedos da mão. Saberia, assim, com certeza, que os desejos já não moravam mais em mim para ficarem bem entregues à sacralidade deste sítio.
Mas já não sei o que digo. Talvez disso venha a urgência de sentar-te neste banco e abrir-te o meu jogo. Depor as minhas cartas, revelar os truques, as jogadas e as que estão, conscientemente, perdidas nas mangas, nos bolsos, nos colarinhos. Esperar e desesperar pelo mesmo dessa parte. E, depois, concluir que nenhum de nós detém os trunfos e que é no baralho que sobejam as copas.
Vá, não resistas! Por uma primeira vez, ainda que seja a última, deixa-te conduzir, até por sítios que já conheces, e permite-me que te sente neste banco e que te abra o jogo. Tens uma imensidão de espaço para perderes o olhar, a atenção, o sentido, as minhas razões. Não precisas nem de escutar. Já me perdi no tempo com exigências. Somente ouvir e acenar “que sim”. Até pensando “que não”.
E, então, convenceres-me de que vale a pena.
Mesmo sem valer.

Jaque, obrigada pela imagem. Se soubesses como me queria naquele banco não terias adivinhado. Deviam existir réplicas transportáveis, pós mágicos que me pusessem aí.
Ou talvez não… para não cair na trivialidade das coisas que não dão luta.
Assim tem outro encanto.
Um beijinho,
Sara.

terça-feira, janeiro 23, 2007

É diferente. E não é mau.

"Os Oaoiai criam pedaços genuínos de rock. Cantado em português. Ao escutarmos as letras, ficamos com a ideia que parece fácil escrever na língua de Camões. Mentira. (...) Atente-se na letra do tema de apresentação “Sushibaby“. Deliciosa mais que as cerejas…O disco abre com quatro doces canções. De uma colheita já conhecida. Depois quatro temas em estado bruto. Zona mais rock do disco. Para o fim mais quatro temas saltitantes, onde as guitarras se deixam embeber por um algodão doce pintado de cor de rosa. Estamos assim perante um disco circular, que gira sobre si mesmo como um carrossel. (...) não se perde aquele lado mais cru (no bom sentido) e mais directo ao coração do som dos Oioai."

Outras músicas aqui e aqui...

"Amo-te mais água que as torneiras. Amo-te muito mais alto que as nuvens. Amo-te mais vento que as tempestades. Amo-te mais. Amo-te mais palavras que um livro. Amo-te muito mais noites que o verão. Amo-te mais longe do que o Japão. Amo-te mais mais... Amo-te mais mais... Amo-te mais e mais e mais e mais e mais" - Sushi Baby

"Eu sei que tu és demasiado bonita para mim, mas um dia eu não vou ter medo de te dizer para vires viver comigo para um sítio qualquer de onde se veja o mar e ter longas conversas sob a luz, de pernas entrelaçadas eu faço a minha arte e tu fazes a tua. Fazemos as nossas artes e eu tiro o cabelo da frente dos teus olhos. Vais ficar a saber também que quando não estás a olhar para mim eu desapareço e que quando não chove estou a pensar em ti. Todas as tuas ausências são o meu pesadelo e a minha vontade de agarrar-me aos teus pés descalços..." - Demasiado Bonita

domingo, janeiro 21, 2007

O Caetano conhece-me.

Um dia a areia branca teus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos na água azul do mar. Janelas e portas vão-se abrir p’ra ver você chegar e ao se sentir em casa sorrindo vai chorar.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história p’ra contar de um mundo tão distante, debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante.
As luzes e o colorido que você vê agora, nas ruas por onde anda, na casa onde mora. Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente. Você só deseja, agora, voltar para a sua gente.


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história p’ra contar de um mundo tão distante, debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante.
Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho. Um dia vou ver você chegando num sorriso pisando a areia branca que é seu paraíso.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história p’ra contar de um mundo tão distante, debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Para pergun... responderes.

I
"A quem passar:
Se te perguntasse se me podias perguntar o que preciso que me perguntes e o que me queres perguntar, o que é que me perguntavas?"
(numa parede de uma rua algures por aqui perto. lisboa tem destas coisas.)
II

(Que não te falte nada.)

http://www.anos60.com/portugal/carlos_paiao/conteudo.htm - De mão em mão

III
...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

"Não sabe o tempo, nem sei eu, por quanto tempo mais dará para estender isto (...) que quase chega a roçar a loucura."

Há uma enfiada de portas fechadas desde aqui até aí. São portas todas iguais, alinhadas pelas fechaduras que, de tão estreitas, não deixam chegar aqui a claridade que faz aí.
De quando a quando, se o sol se digna a espraiar-se até aqui, chega a perceber-se que, mesmo assim, por aí o dia é bem mais solarengo.
As portas não têm número nem dono seguro. Hoje são mais as minhas. Amanhã vão ser mais as tuas e depois também serão. Sim, porque são sempre mais vezes tuas.
E os passos que me separaram da primeira porta foram dados antes dos teus. Já foram andados. Depois, fiquei quieta. Uma mão na chave, outra no puxador e o joelho contra a porta.
Aí, as portas devem ter trincos e fechaduras que pões e tiras constantemente. Para salvaguardares esse lado, penso. Mas não tens necessidade, digo. A parte das portas que me cabe muda com o mudar do tempo. Como a parte das portas que te cabe. Assim, não tens por que fazê-lo. Garantires a primeira porta trancada, quando ninguém desimpede o caminho, da enfiada de portas que existem, sozinho? Não tens necessidade, garanto.
Desse lado há um passo dado de tempos a tempos. E adivinho nele a intenção de outro trinco. Sim, porque não sei se os pões. Digo-o por dizer, porque só conheço a fechadura deste lado. E a madeira que desvanece os sons, até da certeza dos passos daí me priva.
Há momentos em que uma mão larga a chave e depois a outra o puxador. O joelho já dói e fica só a testa contra a porta. Se me deixo sentar na soleira fria da primeira porta, da fechadura, que de tão estreita não me permite clarezas nem certezas, vem um olhar dado e estranhamente retribuído, um sorriso forasteiro no canto do lábio e um gesto percebido que acaba, inevitavelmente, com um passo precipitado e escusado dado atrás. E outro adiante, que se lhe segue. E nesse, dado para diante, inventas outra volta para a chave. Quase de certeza. Porque não ouço.
Mas não tens por que dá-la. Desse lado não deves perceber quando digo que não tens por que dá-la. Nem que me conviesse - e convém - depor todas as portas, há sempre aquelas que cabem só aos movimentos que tu próprio dás no sentido de as abrir.
Exclusivamente a ti.
Por isso, não te percas a resguardar esse lado.
Há uma enfiada de portas desde aqui até aí. São portas todas iguais, alinhadas pelas fechaduras. E dessas competem-te as bastantes para, sem esforço extra, ficares, naturalmente, protegido.

terça-feira, janeiro 09, 2007

“Eu não sei tanto sobre tanta coisa que às vezes tenho medo de dizer aquelas coisas que fazem chorar. E não me perguntes nada. Eu não sei dizer.”

Há coisas que não cabem nas palavras simples. Por serem tão… (lá está) não dão para se dizer.
Mas o frio que fez hoje de manhã dá para ser dito. Foi frio com sol. Frio sem chuva nem humidade. Frio de Lisboa e mais nada. Frio como eu gosto. Frio daquele que deixa a cara fria, o nariz vermelho e os olhos a chorar.
Mas hoje, se pudesse, ia deitar-me num canto qualquer na foz do Tejo. Fechava os olhos, esperava por aquele vento que volta e meia traz as conversas que alguém perde enquanto passa, a poeira que os pés levantam e prolongava mais um pouco este aperto e este querer-me aí. Se cerrasse os olhos com força talvez me concedesse um desejo e trouxesse o cheiro do mar que morre nas pedras do paredão do meu sítio.
A saudade é como as ondas. Vêm, vão e nunca voltam as mesmas.
Talvez por me lembrar dos fins de tarde ventosos na praia, das caminhadas infindáveis no paredão, daquelas coisas a que só damos o devido valor quando as temos longe, hoje estou mais como eu. Já me detive o bastante para concluir que volta e meia é mesmo assim. Mas hoje estava mesmo capaz de me ir embora.
Ontem. 4º dia. O dia depois do dia especial que por sua vez se seguiu a outro dia e outra noite diferentes.
Dia de virem a rabugice e a impaciência inevitáveis depois de duas noites mal dormidas e de algum cansaço acumulado. Dia de implicar mais, de falar menos. Dia de andar com os olhos a brilhar a ponto de se perceber. Dia de balanços e ponderações. Dia de estar por aqui para não estranhar demais a agitação do mundo.
Atrevo-me a dizer que foi duro vir para cá ainda no domingo. A companhia e a conversa acabaram por ajudar e atenuaram aquela sensação que fica no peito e que se sente mesmo como se lá dentro estivesse qualquer coisa de diferente. E estava. E está.
É bom quando apostamos na felicidade dos outros mesmo quando o tempo que levam a descobri-la nos traz algumas desilusões, frustrações, cansaços, desapontamentos, decepções. No fim vem o conforto de Quem espera mais de mim e de ti e de nós. Esse aconchego nunca falha e só isso permite que se continue no ringue de dentro a travar a “luta por dentro”.
E com isso vêm as coisas que não se explicam. As tais que não cabem nas palavras e por isso não adianta dizê-las. Foram quase três dias repletos dessas coisas que não dão para se dizer, mas nas quais tropeçamos a cada instante.
Foi assim na alegria do caminho, na camaradagem, nas gargalhadas altas e nas conversas sem motivo, nexo ou sentido.
Foi assim no frio, no escuro, na dificuldade, na necessidade de confiar. Foi assim no desconforto e no esforço para por de parte os comodismos. Foi assim nos excessos e nas consequências.
Foi assim quando chegou o momento de nos olharmos, de nos encararmos e de descobrirmos Deus nos nossos traços e a proporção que Lhe cabe do brilho dos nossos olhos.
Foi assim nas certezas, nas dúvidas, nos não sei mas não quero saber, nos não sei mas quero encontrar mais.
Foi assim no silêncio que convidou à oração e no qual desfizemos nós que ainda reprimiam o que tínhamos dentro. Foi assim na dificuldade de nos olharmos nos olhos e de deixarmos transparecer o que nunca tinha sido dito.
Foi assim no sono que já não havia e na serenidade do rosto de quem ainda dorme.
Foi assim no abraço adivinhado e que responde a tudo, mas mais ainda ao que se quer tanto nesse instante.
Foi assim no envio e nas propostas para esta Vida em que “o Amor é a única bagagem que não pode ficar para trás”. Foi assim no balanço final, no regresso, na chuva que já caía no outro lado onde também vamos estando.
Foram, assim, três dias plenos de Ti.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Intervalo das 18

Oh, life is bigger It's bigger than you And you are not me The lengths that I will go to The distance in your eyes Oh no, I've said too much I set it up (chorus) That's me in the corner That's me in the spotlight, I'm losing my religion Trying to keep up with you And I don't know if I can do it Oh no, I've said too much I haven't said enough I thought that I heard you laughing I thought that I heard you sing I think I thought I saw you try Every whisper Of every waking

hour I'm Choosing my confessions Trying to keep an eye on you Like a hurt lost and blinded fool, fool Oh no, I've said too much I set it up Consider this Consider this The hint of the century Consider this The slip that brought me To my knees failed What if all these fantasies Come flailing around Now I've said too much I thought that I heard you laughing I thought that I heard you sing I think I thought I saw you try But that was just a dream That was just a dream (repeat chorus) But that was just a dream Try, cry, why try? That was just a dream Just a dream, just a dream Dream

segunda-feira, janeiro 01, 2007

1 de Janeiro de 2007 quase a passar a 2.

Crónica: Notas desprendidamente soltas.

“Se eu te pudesse dizer o que nunca te direi, tu terias que entender aquilo que nem eu sei.”

Fernando Pessoa
Hoje apetece-me deixar-me estar. Ficar só assim.
Agachar-me com a guitarra, a um canto, e, a olhar, ficar. Só assim.
Imaginar-te trilhar dolorosamente, e numa demora de perfeição, cada traste e cada corda e, por tentativas, adivinhar daí o resultado de cada nota puxada a um dedilhado.
Distinguir tonalidades no som. É o que faço.
(Consomes, deliberadamente, tempo.)
(E, instintivamente, vem o jeito que dás ao queixo - chegas-te - para apurares a afinação.)
E o gosto. Ah… o gosto.
Desemaranho só - mas que bastem - os ternos. E os doces. Que me sobra já o azedume das ilusões. E, por isso, não quero mais.
E o cheiro. Rebusco, também, o cheiro.
(Hoje, o teu cheiro fechou-me as pálpebras.)
Ainda ouço a primeira que estiraste. No tempo que demora a desapegar-se do dedo e a deixar-se largar, até que finalmente soa, esquadrinho as razões que ainda não encontraste, mas que fazes de conta que tens. Como na vida a sério – mas aqui é só o canto e eu nele, com a guitarra comigo.
E os motivos. E sim. Enquanto a unha arranha toda a espessura de nylon ainda há tempo para os motivos, os inconvenientes, as justificações.
E as desvantagens. E o “Não, porque não”. E o ponto que pões a seguir e que acaba com tudo. Mesmo ali.
E é aí que ela soa.
A segunda.
Grave, imperativa, constrangedora.
Então apresso-me. E num esforço meu, e teu de que não dás conta, puxas outra.
Outra.
Não me digas que é mais aguda, suave, compreensiva. É só menos grave, mas imperativa e constrangedora. Sim.
E outra. Escuta! Puxa outra!
(Tempo. Dás-lhe tempo. E eu acabo sempre a dar-lhe tempo, também.)
Demorei-me e não lhe percebi a intenção. Encolho-me, sem remédio, até doer nas apófises espinhosas contra o muro. Está muito frio no canto.

(Tempo. Mais tempo?)

Apressa-te, que eu sofro!
Quero a vida trinada nas duas oitavas mais agudas!

Aras Sé Amu Aicácsap

sábado, dezembro 30, 2006

Vai daí por andar às voltas e falar em palavras (dois pontos)

E porque no outro dia ouvi qualquer coisa resmungada entre-dentes que me soou a "Porque é que eu não apareço no teu blog(ueeee)?" - note-se o prolongamento no "...gueee" como quem está mesmo a pedir um post'zinho exclusivo...
E porque depois de uma referência tão significativa à minha pessoa (ou ao meu Paredão) como:

Eu sei Sara (Sara?Que Sara?) "The Love Boat"... (Love Boat? Porquê Love Boat? Porque ninguém percebe...) é um plágio descarado... (... deixa lá, eu também plagiei alguém!)
Mas o teu Blogg é inspirador... sempre tão refrescante... (Palavra que me perco a tentar perceber com que tom irónico (ou não) ele teria escrito isto.)
Tanta frase inspiradora.... (... e isto!)

E pronto, lá conclui que já ia sendo tempo de fazer algum tipo de referência - que não se resumisse a um link (A)braços de acesso rápido e imediato ao seu poiso na blogosfera, na sidebar de um blog - a alguém que... me diz muito, ah pois me diz muito (quando fala, início de citação "o que nem sempre acontece" fim de citação).
Ora vai daí, e porque isto não se chega aqui e não se (a)manda qualquer coisa a respeito de alguém de tão colossal importância (e de tão descomunal ego), teve que surgir o momento, a oportunidade, a situação ideal (ou não) para o fazer.
E por isso, agora que o moço se vê (lá está!) (a)braços com uma situação tão penosa como arranjar, sem dinheiro e em tempo limitado, a Sala Jovem na qual, convém referir, "está tudo oco" - ouve-se o grgrgrgrgrgr - achei por bem dar-lhe algum tempo de antena, que é coisa que ele até nem exige muito, tamanha é a modéstia e tão exíguo é o ego deste moço:

- solteiro (?!);
- bom rapaz;
- de boas famílias;
- com uma voz de rouxinol;
- com um futuro promissor na elaboração de testes de personalidade para revistas de carácter duvidoso;
- com outro futuro promissor numa arena do circo;
- e que vive a vida tao apaixonada e romanticamente quanto possivel - segundo diz. Eu desconheço.
Ora agora fica a foto que me foi possível obter:

Feita a merecida referência a este jovem eloquente e elegante - note-se a pose com que profere os avisos dominicais na Eucaristia das 11h, (a propósito, chama-se Paulo) - e desfeito o prolongamento no "gueee"... falemos do que interessa:
Ora, nesta primeira foto é-vos apresentada a nossa Sala Jovem, que, nas suas limitações próprias de sala-de-acesso-a-um-palco, tem sido importante no apoio às catequeses do centro e aos encontros de jovens. E vai daí que alguém se lembra, e muito bem, de lhe dar uma cara nova, mais apelativa para que assim se congregue mais sangue novo em torno de tantos assuntos que nos interessam e nos enriquecem.

(Foto indisponível)

Mas aquilo, cravado de uma saínha ?! tão teimosa, mas tão teimosa, estava "tudo oco" e cheio de uma cola solenemente irritante que nos levou o diluente, os esfregões, as luvas, o verniz das unhas, as unhas, a pele... mas que felizmente não chegou ao músculo (vulgo: carne).
E então, fazendo os possíveis por dactilografar qualquer coisa com as falangetas dos cincos dedos da mão, presto aqui a minha homenagem à empreitada, ainda em curso.
E porque eu sou crente, muito crente e tenho uma fé infinita, eterna, imensurável, inacabável no Homem e no resultado que a sua acção desencadeia, acredito... que para além de bonita, lhe vamos apanhar um amor especial, que se vai tornar um espaço íntimo, de encontro, de amigos.
Vá lá! Aparece... também ninguém te paga para ficares a ouvir a Rita Ferro Rodrigues a apresentar o Contacto com o "tio careca"! (suspiro)
Até... à Sala Jovem!
Xis - corações,
Sara à espera das represálias!
=)

"É mais fácil quando todos dão de si o que têm, fazem de um projecto o seu, de uma actividade a sua. Deixam umas horas de café, de TV, jogos de computador ou de namoro para simplesmente estar disponíveis. E (...) foi uma prova de que em Ilhavo, temos jovens em pleno, de qualidade e atitude, com vontade de trabalhar... Com Jesus Cristo no seu caminhar!"
Paulo Nunes - Dia Mundial da Juventude 04

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Às voltas.

Vejo-te mas não te conheço ainda. Quero conhecer-te mas não sei que palavras inventar para te puxar para a minha vida.

Fica comigo esta noite - Inês Pedrosa

quinta-feira, dezembro 28, 2006

A propósito.

A tua caminhada ainda não terminou. A realidade acolhe-te dizendo que à tua frente o horizonte da vida necessita das tuas palavras e do teu silêncio. Se amanhã tiveres saudades, lembra-te da fantasia e sonha com a próxima vitória. Vitória que nenhuma arma do mundo poderá alguma vez obter porque é uma vitória que surge da paz e não do ressentimento. Claro que vais encontrar situações tempestuosas, mas há que ver o lado bom da chuva e não a faceta do raio que destrói. Se não consegues compreender que o céu deve estar dentro de ti, é inútil procurá-lo acima das nuvens ou ao lado das estrelas. Por mais que erres ou tenhas errado, há esperança enquanto te envergonhares desses erros. És jovem. Atender a quem de ti necessita é belo, mas lutar por quem te rejeita é roçar a perfeição. A juventude precisa de sonhos para se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa de água e o coração necessita de afecto. Não faças de amanhã o sinónimo de “nunca”, nem o ontem sinónimo de “nunca mais”. As tuas pegadas estão marcadas, olha para trás mas não pares e vai em frente porque há quem precise delas para te seguir.

Charles Chaplin

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Untitled



Sabes onde é que há coisas que te tiram mesmo, mesmo mas mesmo do sério?!
Não? 'Tão cala-te!
Pensamento do dia:
Pior do que fazer apontamentos de Histologia, só mesmo virar-lhes o xarope da tosse por cima.

Há dias assim ...
(cof cof)

terça-feira, dezembro 26, 2006

Estou de trovoada...

- Ai… mas que trovoada, não achas Becas?! Becas, Becas, consegues dormir com este
barulho todo?
(…)
- Eu tenho muito medo dos trovões e dos relâmpagos. Tu não tens?! É preciso ser muito valente, não achas Becas?
- Egas, Egas… os trovões e os relâmpagos fazem muito barulho, mas sabes qual é a vantagem?
- Não. Diz lá qual é a vantagem das trovoadas Becas…
- Bom, as trovoadas… não te assustes, não te assustes que as trovoadas normalmente não duram muito tempo, vão e vêm. Por isso descansa…

"Sabes, tenho uma ideia. De cada vez que passe um relâmpago vou fingir que é [Deus] a tirar fotografias com o flash. Percebes? Assim, assim tu já não tens medo..."

... porque é que não és tu a ter O medo?

domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal

Um Santo e Feliz Natal aos resistentes que ainda vão passando por aqui.
Um abraço muuiitoo apertado.

(Fazei o obséquio de clicar na imagem!)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Resumindo e concluindo

Digo que importa muito, e tudo, ter uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar, venha o que vier, suceda o que suceder, trabalhe-se o que se trabalhar, murmure quem murmurar, quer lá se chegue, quer se morra pelo caminho, ou não se tenha ânimo para as dificuldades que nele há, quer se acabe o mundo.




Sta Teresa de Jesus

"Já agora... vale a pena pensar nisto!"
Para mais tarde recordar:
Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar. Uma é minha, outra é tua, outra é de quem a apanhar!
... e eu ponho a chaleira ao lume =p

terça-feira, dezembro 19, 2006

Para ti. Hoje é um dia especial.

" For those who question: why we should even try?!"
Who's gonna tell you when It's too late Who's gonna tell you things Aren't so great. You cant go on thinkin' Nothings' wrong but bye Who's gonna drive you home tonight? Who's gonna pick you up When You fall? Who's gonna hang it up When youcall? Who's gonna pay attention To yourdreams? And who's gonna plug their ears Whenyou scream? You can't go on thinkin' Nothings wrong but bye (who's gonna drive you) (who's gonna drive you) Who's

gonna drive you home tonight? (who's gonna drive you home) (bye baby) (bye baby) (bye baby) (byebaby) Who's gonna hold you down When you shake? Who's gonna come around When you break? You can't go on thinkin' Nothin's wrong but bye (Who's gonna drive you) (who's gonna drive you) Who's gonna drive you home tonight? (who's gonna drive you home)Oh you know you can't go on thinkin' Nothin's wrong (Who's gonna drive you) (Who's gonna drive you home) Who's gonna drive you home tonight? (bye baby) (bye baby) (bye baby)

Drive - Cars

" Don't let them tell her that this doesn't work!" - Bob Geldof

http://www.makepovertyhistory.org

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Classificados

Há dias assim... em que se (re)descobre que Deus existe mesmo. E depois dá nisto.
Magui, esta é para recordar. Deves estar a tentar descobrir como fizeste tal proeza, não?! Pois... fica lá na tua!
;)
1beijinho!

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Ser pessoa estrela.

pessoas estrelas. Há estrelas cometas. Os cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam. As estrelas permanecem. Há muita gente cometa.Passam pela vida da gente apenas por instantes; não prende ninguém e a ninguém se prende. Gente sem amigos. Que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença. Assim são muitos artistas. Brilham apenas por instantes nos palcos da vida. E com a mesma rapidez com que apareceram, desapareceram. Assim são os reis e rainhas: de nações, clubes ou concurso de beleza. Assim são rapazes e moças que se enamoram e se deixam com a maior facilidade. Assim são pessoas que vivem numa mesma família e passam pelo outro sem serem presença. Importante é ser estrela. Marcar presença. Ser luz, calor, vida. Amigos são estrelas. Podem passar os anos, dificuldades, distâncias, mas a marca fica no coração. Ser cometa não é ser totalmente amigo. É ser companheiro por instantes. Explorar sentimentos. Aproveitar das pessoas e das situações. É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo. A solidão é o resultado de uma vida cometa. Ninguém fica. Todos passam. E a gente também passa outros. Há necessidade de criar um mundo de estrelas. Todos os dias poder vê-las e senti-las. Todos os dias poder contar com elas. Todos os dias ver sua luz e seu calor. Assim são os verdadeiros amigos. Estrelas na vida da gente. Pode-se contar com eles. Eles são aragem nos momentos de tensão. Luz nos momentos escuros. Pão nos momentos de fraqueza. Segurança nos momentos de desanimo. Olhando os cometas, é bom sentir-se estrela. Marcar presença. Ter vivido e construído uma história pessoal. Ter sido luz para muitos amigos. Ter sido calor para muitos corações. Ser estrela neste mundo passageiro, neste mundo cheio de dificuldades, de pessoas cometas, é um desafio, mas acima de tudo uma recompensa. É nascer e ter vivido, e não apenas existido. Neste Terceiro Milénio, vamos procurar a cada dia fazer a nossa história acontecer. Ser uma estrela para dar condições de que o mundo seja mais amigo, fraterno e solidário. Se isso acontecer também seremos pessoas estrelas nos caminhos e na vida dos irmãos.
D. Fernando Mason, Bispo de Caraguatatuba, Brasil
Obrigada pela "achega", pessoa estrela!
:)