sábado, abril 21, 2007

Crónica de um ciclo cardíaco em tempo de fisiologia renal

“Assim como solfejo e escalas ainda não são a música…”

Um, dois, três… zUm, dois, três… zUm, dois, três… Há já muito que diástoles e sístoles não se sucedem continuamente, a cada ciclo, neste coração que empenou num compasso ternário exaustivo: Um, dois, três… zUm (bate com a mão na mesa), dois, três…zUm (bate com a mão na mesa e dói), dois, três… zUm (já tenho lágrimas para cair sem saber encaixar uma tercina no primeiro tempo do compasso), dois, três…
A primeira aula de solfejo dói-me, ainda, na pele da palma da mão direita que acusou a aspereza da mesa, já velha e de esquinas farpadas.
E é como a primeira aula de solfejo, o primeiro amor amargado a sério.
Fecha-te o coração numa sala. Senta-te a uma mesa de esquinas falhadas, em que candeeiro único e velho só permite à sala a luz baixa e amarela que dá ao papel pautado a cor dos escritos de Beethoven que pensas lembrar-te de ver nuns filmes. Ainda te assusta o busto desse homem que ter contaram ser surdo e que está pousado na prateleira acima da mesa velha, ao lado do tinteiro antigo e da jarra de flores artificiais, vermelhas escuras do pó.
Nunca soubeste manter por ele uma pena, uma piedade pelo infortúnio que havia sofrido. Criança, ainda, não vias onde poderia estar a genialidade de, sendo surdo, compor música como nenhum outro pleno de todos os sentidos.
Retornada à sala de paredes de um verde-velho escusado, atentas no olhar austero que o busto pousa, agora, em ti. A persistência dele amedronta-te e leva-te os olhos à folha de papel onde, aliás, já os devias ter. Há paciência. Na segunda pauta - porque te ensinam a deixar sempre a primeira em branco - já te rascunham umas notas que são ainda bolinhas pretas e bolinhas brancas, perninhas e pontinhos, dentro de casinhas limitadas, onde te imporão, depois, que imagines dois, três e quatro tempos.
É como a primeira aula de solfejo, o primeiro amor, a sério, sofrido.
Não te permite, por muito tempo, para além do pouco tempo que cabe ao início de qualquer coisa, a dualidade do binário. Esse é simples, bonito até, no início. Um em baixo e expiras, dois em cima e inspiras. É simples, bonito, até. No início, a ponto de poder tornar-se aborrecido.
O piano, já ali, já te promete os três tempos das valsas apaixonadas dançadas nos grandiosos salões das cortes que vês nos mesmos filmes, mas tens que voltar ao binário que, entretanto, acaba, perdendo o encanto inicial dos suspiros prolongados entre o um e o dois.
“Agora vamos ao ternário que é um bocadinho mais difícil!”. Que bocadinho? Alguém perde a noção do difícil, enquanto deixam de te restar dúvidas de que é como a primeira aula de solfejo, a sério, o primeiro amor sofrido.
Vês-te de coração encurralado em casinhas de três tempos limitadas por duas linhas verticais, onde só te é permitida a fuga quando estás ainda na primeira, e por uma íngreme e possivelmente interminável escada em caracol. Depois, ultrapassada essa primeira casinha, desgastar-te-às, a cada outra, a encaixar por antecipação o número imprevisível de notas do compasso seguinte, já que são como casinhas de compassos de conteúdo imprevisto, os dias, a sério, sofridos à conta do primeiro amor a sério.
Não afinas à primeira, mas afinas à segunda.
Não atinas à primeira, nem à segunda e já não partes confiante para a terceira.
E dás por esse coração que solfeja tempo a tempo, nota a nota descompassado do metrónomo, ao lado do busto.
E vês que é como o metrónomo o primeiro amor por quem sofres a sério. Como na tua primeira aula de solfejo.
“É como juntar, ao ternário, o binário!”. Pois é. Mas criança, ainda, no solfejo do amor, não te parece de todo possível. Como será sequer pensável fazer coincidir a rigidez do um dois do metrónomo preciso e teimoso, com três tempos um dois a inspirar, três a expirar já confundidos com um suspiro a que se seguem outros que acabam com o tempo, inevitavelmente, por desacertar?
“É só encaixares três tempos num segundo prolongado de um relógio, sabes?”. Sei, claro. És tu quem sabe, se és tu quem ensina.
Talvez se desvaneça, um dia, o um dois do metrónomo, mesmo que persista a precisão da agulha que oscila rígida entre a esquerda e a direita, numa fluidez inconsistente, qual pêndulo ao contrário que te resgata o olhar e a consciência. Perder-se-à, o um dois, no fundo do fundo do peito – que não me consta que tenha fundo – para onde vão as métricas da vida, não as do coração? Não tens resposta o que não te impede de preferir ficar nessa tua quase certeza.
Que fique, então, suspenso, o um dois, capaz de te despertar a cada três tempos suspirados, eventualmente, fora do segundo prolongado dos ponteiros do relógio, para te lembrar que é como a primeira aula de sofejo, o primeiro amor que sofres a sério.

quinta-feira, abril 19, 2007

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.

"Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto."
Pablo Neruda

sábado, abril 14, 2007

Ele está que está aí...

Outro ano, o mesmo espírito, outro fim-de-semana, a mesma vontade, outra oportunidade, as mesmas propostas, outras dúvidas, o mesmo desafio, outro caminho, a mesma caminhada, outras dificuldades, as mesmas barreiras, outras pessoas, o mesmo caldeirão de emoções e sentimentos, outro encontro, o mesmo estar, outra proximidade, o mesmo lugar, outra aposta, as mesmas expectativas, outro medo, a mesma confiança, outras pessoas, o mesmo ideal, outro grupo, a mesma animação, outras vozes, a mesma canção, outro tempo, o mesmo conforto, outro par de sapatos, o mesmo cansaço, outra vela, a mesma chama, outro chão, o mesmo frio, outra disposição, a mesma vontade, outro calor, o mesmo sol, outras vozes, o mesmo amor, outra t-shirt, a mesma cor, outra terra, a mesma diocese, outros jovens, o mesmo Cristo.
Outra vez Fátima Jovem, a mesma ansiedade.

quarta-feira, abril 11, 2007

Não sei que diga. Não sei que partilhe. Aceitam-se sugestões. Fica a música. Gosto da letra.

Nao vou procurar quem espero, Se o que eu quero é navegar, Pelo tamanho das ondas, Conto nao voltar, Parto rumo à Primavera, Que em meu fundo se escondeu, Esqueco tudo do que eu sou capaz, Hoje o mar sou eu, Esperam-me ondas que persistem, Nunca param de bater, Esperam-me homens que resistem, Antes de morrer, Por querer mais do que a vida, Sou a sombra do que eu sou, E ao fim nao toquei nem nada, Do que em mim tocou, Eu vi, mas nao agarrei, Eu vi, mas nao agarrei, Parto rumo à maravilha, Rumo à dor que houver p'ra vir, Se eu encontrar uma ilha, Paro p'ra sentir, E dar sentido à viagem, A sentir que eu sou capaz, Se o meu peito diz "Coragem!", Volto a partir em paz, Eu vi,mas nao agarrei, Eu vi,mas nao agarrei, Eu vi, mas nao agarrei, Eu vi, mas nao agarrei.

segunda-feira, abril 09, 2007

Em altura de regresso ao trabalho duro...

...demos ouvidos às lições da Mary Popins porque "just a spoonful of sugar helps the medicine go down in a most delightful way!"

sexta-feira, abril 06, 2007

Some sort of window to your right.

Step one you say we need to talk He walks you say sit down it's just a talk He smiles politely back at you You stare politely right on through Some sort of window to your right As he goes left and you stay right Between the lines of fear and blame And you begin to wonder why you came Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life Let him know that you know best Cause after all you do know best Try to slip past his defense Without granting innocence Lay down a list of what is wrong The things you've told him all along And pray to God he hears you And pray to God he hears you Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life As he begins to raise his voice You lower yours and grant him one last choice Drive until you lose the road Or break with the ones you've followed He will do one of two things He will admit to everything Or he'll say he's just not the same And you'll begin to wonder why you came Where did I go wrong, I lost a friend Somewhere along in the bitterness And I would have stayed up with you all night Had I known how to save a life.

quarta-feira, março 07, 2007

De todo na lua.

Nota: reservo-me o direito de gostar desta música e, se tiver que ser, de me comover até às lágrimas. E "mai nada"!

"Sinto dizêêê... qui amo meismo... 'tá ruím p'ra disfarçááá!"

=)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

SARA

Blá blá blá... já lá vai o tempo em que...

"Sara: do hebraico, significa princesa. É uma pessoa predisposta ao sucesso profissional. Sua vontade de vencer é bem maior do que as dificuldades que possam aparecer. É uma pessoa com tendência a enriquecer."


S.A.R.A. - SÍNDROME DE ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA AGUDA

A Síndrome de Angústia Respiratória Aguda (ARDS ou SARA) é uma nova e mais apropriada denominação para a Síndrome de Angústia Respiratória do Adulto (também denominada SARA), pelo menos por 2 razões. Primeiro, porque a SARA foi denominada originalmente síndrome de angústia respiratória do adulto em função de suas similaridades com a RDS (Respiratory Distress Syndrome ou Membrana Hialina) a qual ocorre em crianças prematuras. Este termo provou ter sido um engano, fundamentalmente porque a patologia da SARA e da...
BLÁ BLÁ BLÁ...

Definição de SARA

A SARA é uma constelação clínica de anormalidades fisiológicas e radilológicas, que ocorrem seguindo-se a um identificável cataclisma clínico. Desde que a SARA é uma síndrome e não uma doença específica, qualquer definição de SARA envolve uma arbitrariedadade importante. A maioria das definições de SARA se originaram pelo propósito clínico de pesquisa clínica e tem propagado a ideia de que a SARA é um fenómeno do tudo ou nada. A validade desta hipótese não tem sido testada e a noção de que a SARA é um fenómeno que varia em severidade está crescendo em popularidade. O espectro da SARA pode variar desde um processo subclínico de disfunção pulmonar compensada, a qual é facilmente tratável com oxigénio inspirado enriquecido ou mesmo PEEP, até um severo edema pulmonar não-cardiogênico com insuficiência respiratória irreversível. A opinião recente do consenso Americano-Europeu sobre SARA serve como a mais sensível das definições de SARA.
Predisposições, incidência e índices de sobrevida:

Por quase mais de três décadas, reportes de casos e pequenas séries de uma maneira crescente se referiam de modo mais complexo e associações cada vez menos usuais relacionados com eventos etiológicos da SARA. As maiores categorias de eventos classificados como de maior risco para o desenvolvimento de SARA podem ser divididos em injúria pulmonar directa e injúria pulmonar indirecta.

Predisposição para a SARA:

Em uma série recente, a Síndrome Séptica e o Trauma Múltiplo foram os factores que mais frequentemente levaram à predisposição de SARA, acontecendo em aproximadamente 40 a 25% dos pacientes predispostos. Em pacientes pediátricos, a incidência de SARA continua a se de 12% para pacientes considerados de alto risco admitidos com sepse, pneumonia viral, inalação de gases ou fumo ou ainda quase-afogamento.
Ainda não existe uma terapia específica para a SARA, porém o tratamento suportivo para SARA relacionado com a Síndrome Séptica melhorou a sobrevida destes pacientes em 30 a 40% nos últimos anos. Suchyta et al. relataram que sobrevida de SARA severa passou de 11% para 40% entre 1970 e 1990.

Estudos com o uso de anti-endotoxina ou terapia anti-citocina específica ainda não foram realizados especificamente em pacientes com SARA. Actualmente, estas terapias não provaram trazer beneficio significativo para os pacientes com Sepse.
Outras terapias propostas, tais como reposição de surfactante exógeno, tratamento com inibidores da ciclooxigenase ou Prostaglandina E, ou terapias direccionadas a genes específicos parecem ter benefícios teóricos porém sem eficácia comprovada.
Enfim... sem outros posts de momento!
Uma semana em grande,
S.A.R.A

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Praia das Lágrimas

Ó mar salgado eu sou só mais uma
Das que aqui choram e te salgam a espuma
Ó mar das trevas que somes galés
Meu pranto intenso engrossa as marés
Ó mar da indía lá nos teus confins
De chorar tanto tenho dores nos rins
Choro nesta areia salina será
Choro toda a noite seco de manhã
Ai ó mar roxo ó mar abafadiço
Poupa o meu homem não lhe dês sumiço
Que sol é o teu nesses céus vermelhos
Que eles partem novos e retornam velhos
Ó mar da calma ninho do tufão
Que é do meu amor seis anos já lá vão
Não sei o que os chama aos teus nevoeiros
Será fortuna ou bichos-carpinteiros
Ó mar da china samatra e ceilão
Não sei que faça sou viúva ou não
Não sei se case notícias não há
Será que é morto ou se amigou por lá.


in Auto da Pimenta, Carlos Tê / Rui Veloso

sábado, fevereiro 10, 2007

Não lhe sopres que ela apaga-se e não terei como provar-te que vi a luz por cima do teu ombro, se não vês uma por cima do meu.

Não sou muito de palavras faladas, daí que costume deixar estas reflexões para os lápis até que se consume tudo nos riscos e rabiscos que acabam perdidos nas gavetas, nas caixas dos sapatos onde cabe sempre mais uma pedra, mais uma flor, mas um guião, mais um postal, mais uma rolha, mais uma vela, logo também, mais um papel.
Ultimamente deixo-as, também, para o teclado do computador e para o Paredão (o outro) que já conta com quase seis meses!
Mudei de caixa de sapatos. Aqui, vou-a forrando a papel de mar e de vento. De letras de cantigas, de imagens, de memórias. Enfim, de Vida.
Achei sempre que estes sítios virtuais acabavam por ser, inevitável e simultaneamente, espaços onde, aparentemente, suprimos aquela necessidade humana e inconsciente de nos expormos perante os outros nas mais diversas vertentes mas, também, formas de cobardemente o fazermos.
Talvez a partilha e a troca de ideias sejam bons contra-argumentos. Mas se o podemos fazer em torno de uma fogueira debaixo de um céu estrelado, sentados numa mesa de café ou até, e porque não, nas pedras de um qualquer paredão por esse país fora… porque reduzimos nós estas coisas que fortalecem relações a “blogues”, “aifaives”, “mensengeres” e mais coisas que tais?! Eu não sou, de todo, o melhor exemplo.
Mas, e porque por estes dias vem a propósito e também porque entretanto me perdi já no raciocínio, falemos de Amor.
“Á-ÉME-Ó-ÉRRE”, diria a Clementina que, por sinal, também é conhecida do Caetano.
Gostei quando o texto dizia “amar é uma condição”. Amar é uma condição. Amar é uma condição. Não me canso de dizer. Amar é uma condição.
C-o-n-d-i-ç-ã-o… o Word dá por sinónimo a palavra e-s-t-a-d-o.
Revi nesta frase a minha concepção de Amor. Amor é, para mim, o estado de estar… em Amor. E estar em Amor é o estado de estar bem.
Quem me conhece (muito bem) percebe que às vezes me perco na infinidade de labirintos que trago na cabeça e é-me, realmente, difícil escrever sobre o Amor.
Ontem ouvia falar em projectos de vida que se têm e que, de alguma forma, fazemos por sobrepor a outros possíveis trilhos que podíamos tomar neste intervalo concedido. Eu vou deixando isso a cargo do tempo e dos rumos que vou tomando. Enfim, de Deus. Não que não projecte, bem ou mal, um Amor N-E-O-Q-E-T-A construído por baixo. E aí o Amor é também ele um projecto. Mas de dois. E como todos os projectos para ser bem sucedido exige empenho, muito empenho. Mas de dois.
No entanto, não ponho de parte outras formas de estar em Amor que me sejam solicitadas com o passar do tempo. Daí que não estipule, então, esses estados de estar em Amor que espero que venham, por ir reconhecendo nos meus dias os sinais, as luzes que vão clareando a estrada à frente dos meus pés.
É-nos pedido a cada instante que deixemos o Amor ser o motor do nosso mundo. E por incrível que pareça, sendo algo tão simples, parece tantas vezes tão impossível de concretizar. Mas pergunto-me, tantas mais vezes, o que faço eu nesse sentido!
É, ou devia ser, assim nas relações, nas famílias, nas comunidades, nos trabalhos, no entretenimento.
Permitam-me achar que hoje as relações humanas se perdem nos floreados, quando o essencial é não só aquilo que se vê nos olhos do outro mas o que está para lá dos olhos do outro. Para dentro. E é aí que se distingue o Amor íntegro, aquele que faz brilhar as luzes por cima dos ombros de cada um.
Assim, amar é, realmente, um modo de vida.
E que bom que era se em tudo o que fazemos puséssemos dedicação com muito afecto.
Puséssemos nós muito Amor!

Escreve-nos a nós jovens, assim, o Papa Bento XVI a propósito do Dia Mundial da Juventude deste ano:

Everybody feels the longing to love and to be loved. Yet, how difficult it is to love, and how many mistakes and failures have to be reckoned with in love! There are those who even come to doubt that love is possible. But if emotional delusions or lack of affection can cause us to think that love is utopian, an impossible dream, should we then become resigned? No! Love is possible, and the purpose of my message is to help reawaken in each one of you - you who are the future and hope of humanity-, trust in a love that is true, faithful and strong; a love that generates peace and joy; a love that binds people together and allows them to feel free in respect for one another. Let us now go on a journey together in three stages, as we embark on a “discovery” of love.

Fala-nos, depois, das mais diversas fontes de Amor mas de Deus como a maior delas, mas também das diferentes formas de amar e na Santidade como uma delas e proposta e caminho para todos. Acaba, deste modo, a desafiar-nos a ousar amar onde e naqueles que, por mais diferentes ou mais distantes, nos parecem necessitados de um Amor para o qual não nos sentimos, por vezes, “qualificados”. Mas esse Amor, sendo o único meio para mudar o coração de um único homem e de toda a humanidade, de tornar frutuosas das relações entre homem e mulher, ricos e pobres, culturas e civilizações, é, de facto, aquele onde Deus quer a nossa aposta persistente e destemida.
E, se o há, termina com o segredo do maior Amor que está ao alcance de cada um e no qual reconhecemos a intenção e a dádiva de Deus, e a Eucaristia como a grande escola do Amor.
Amemos mais, amigos!
Vamos lá fazer a parte que nos cabe na construção deste mundo! De Amor!

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/youth/documents/hf_ben-xvi_mes_20070127_youth_en.html

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

"Eu estou a falar de Á - ÉME - Ó - ÉRRE!"

- Clementina, de que é que eu vou falar? Esqueci-me…
- Ah… tu vieste aqui para falar de um certo sentimento, uma maneira especial de sentir que aparece de vez em quando…
- Quando se está doente. Vamos falar de quando nos sentimos mal?
(…)
-
Diz-me lá e essa coisa sente-se com… os dedos dos pés, os ouvidos e o cabelo?!
- (…) mas normalmente quando acontece sente-se com o coraçãooo!

- Coração? Ah… essa é mesmo boa… talvez eu nunca tenha sentido isso antes!
- (…) ou então, João Esquecido, podemos sentir isso também por um amigo muuiitttooo eessspppeeecciiiaallll…
- Bom, deixa-me ver!
E por uma maçã?! Pode-se sentir isso também por uma maçã ou então por um par de botas?!
(…) Estou completamente a leste do que tu estás para aí a falar!
- Por favor João Esquecido!!! Eu estou a falar de A-M-O-R! Amooorr!!!
- Ahhh… amoooorrr!! Então porque não disseste logo?! Eu sei tudo sobre o amor! (…) Claro que sei! Eu tenho quilos de amor dentro de mim! Quilos e quilos… toneladas de amor! E até tenho uma maneira especial de mostrar às pessoas que gosto delas! (…) Assim: íííííííiúúúúúúúúúú

(Não resisti aquele: “Esquecido… João Esquecido…és tããããoooo meiguiiinnnhhhoooooo!”)

* * *

Love Boat Captain take the reigns...

Is this just another day... this God forgotten place? First comes love, then comes pain. Let the games begin... Questions rise and answers fall... insurmountable. Love boat captain, take the reigns and steer us towards the clear... here. Its already been sung, but it cant be said enough. All you need is love. Is this just another phase? Earthquakes making waves... Trying to shake the cancer off? Stupid human beings... Once you hold the hand of love... its all surmountable. Hold me, and make it the truth... That when all is lost there will be you... Cause to the universe I don't mean a thing.

And theres just one word I still believe, and it's... It's an art to live with pain... mix the light into grey (...) And if our lives became too long, would it add to our regret? And the young, they can lose hope cause they can't see beyond today... The wisdom that the old can't give away. Hey... Constant recoil... Sometimes life don't leave you alone. Hold me and make it the truth... That when all is lost there will be you. Cause to the universe I don't mean a thing and there's just one word that I still believe and its Love... Love. Love. Love. Love. Love boat captain, take the reigns... steer us towards the clear. I know it's already been sung... can't be said enough. Love is all you need... all you need is love... Love... Love... Love. Love.

Love Boat Captain - Pearl Jam

www.freewebs.com/somosmedicosporissonao/index.htm

terça-feira, fevereiro 06, 2007

06 | 02 | 07

Autumn and the days grow shorter
Squeezing the same radiance into a smaller space
More intense than ever
The beloved's lust for us.
She must know we too are getting ready to become a poem.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

Por hoje estar bezúúúúúúú.

Where is sea ? I don't know why I was just looking for the sea, But the only thing I found was the desert, A desert around me... What can I see ? You closed my eyes when I just need to go and see... If you want me to be blind, I will stay here, With this desert around me... They would I can see is there nowhere land without you? I don't know where I go in the desert, in the desert... with you... Where is sea ? I don't know why I was just looking for the sea, But the only thing I found was the desert, A desert around me... Where is sea ? I'am alone, I'am dreaming of the sea, But you're not here, next to me... They will I can see is there a nowhere land without you... I do not where I go in the desert... in the desert, With you....

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Receita

Precisava de uma mãozi... tenazinha de um caranguejo destes na minha Vida!
:)

Opção pelo SIM... à Vida!


"Cada criança, ao nascer, traz-nos a mensagem de que Deus ainda não perdeu a esperança no Homem."

Tagore

quarta-feira, janeiro 24, 2007

“Folheei as páginas de um velho dicionário (…) porque eu sei que o meu vocabulário não é rico em boa prosa.”

Vá, não resistas! Quero sentar-te neste banco e abrir-te o jogo.
Fazer um trinta-e-um, dar voltas e cambalhotas no discurso e acabar a dizer-te o que tenho que te dizer.
Começar por esclarecer que há coisas que não se escolhem e que a persistência com que permanecem já me incomoda. Depois, talvez fazer aquele silêncio incessante que me e te aflige. Porque não sou de encadear palavras a fio e essa arte reserva-la tu. E se, entretanto, conseguir emitir mais um vocábulo que seja, mesmo que a medo, diriei que havendo coisas que não se escolhem, também há coisas que não se cobram. Para te dizer que só quero o que queres e aí entra o que sei que não queres.
Mais ainda. Contar-te do esforço infrutuoso, que juro pelos blocos de betão deste caminho, que faço. Mas havendo lutas que não se escolhem, também as há que, cobardemente, não se travam, na infalibilidade da derrota.
Não vou exigir nada para além do tempo suficiente que dê para implorar a tranquilidade do delírio responsavelmente contraído.
Nem sequer me estenderei nas palavras. Se não tenho o engenho de ir fazendo crescer o que digo, presunçosa também não darei tempo ao sol de se pôr e de deixar antever um céu escuro crivado de estrelas e de outros astros passíveis de cairem e de arrastarem com eles os pensamentos que desejava não desejar mas que me vêm à mente, essa inconfidente nos momentos preciosos. Quando damos por eles já se soltaram e rodopiam impacientemente em torno da nossa cabeça para seguirem até onde haja quem os avalie, pondere e concretize. Não. Não tenho mão nesses retalhos e já aqui perdi demais.
Talvez, com sorte, o céu esteja cerrado de nuvens carregadas e faça nevoeiro e frio e eu não tenha que reter na íris o precipitado de astros luzentes. Ou talvez quisesse mesmo as estrelas e o céu limpo para as ver morrer. Mas sem se perderem, entretanto.
Possivelmente, ia querer, então, vê-las cair, seguir-lhes atentamente o rasto com o meu indicador seguro entre o teu indicador e o teu polegar, até que elas rasassem o mar e sucumbissem sem deixarem tristeza. Demoradamente. No curto espaço medido entre os dois primeiros dedos da mão. Saberia, assim, com certeza, que os desejos já não moravam mais em mim para ficarem bem entregues à sacralidade deste sítio.
Mas já não sei o que digo. Talvez disso venha a urgência de sentar-te neste banco e abrir-te o meu jogo. Depor as minhas cartas, revelar os truques, as jogadas e as que estão, conscientemente, perdidas nas mangas, nos bolsos, nos colarinhos. Esperar e desesperar pelo mesmo dessa parte. E, depois, concluir que nenhum de nós detém os trunfos e que é no baralho que sobejam as copas.
Vá, não resistas! Por uma primeira vez, ainda que seja a última, deixa-te conduzir, até por sítios que já conheces, e permite-me que te sente neste banco e que te abra o jogo. Tens uma imensidão de espaço para perderes o olhar, a atenção, o sentido, as minhas razões. Não precisas nem de escutar. Já me perdi no tempo com exigências. Somente ouvir e acenar “que sim”. Até pensando “que não”.
E, então, convenceres-me de que vale a pena.
Mesmo sem valer.

Jaque, obrigada pela imagem. Se soubesses como me queria naquele banco não terias adivinhado. Deviam existir réplicas transportáveis, pós mágicos que me pusessem aí.
Ou talvez não… para não cair na trivialidade das coisas que não dão luta.
Assim tem outro encanto.
Um beijinho,
Sara.

terça-feira, janeiro 23, 2007

É diferente. E não é mau.

"Os Oaoiai criam pedaços genuínos de rock. Cantado em português. Ao escutarmos as letras, ficamos com a ideia que parece fácil escrever na língua de Camões. Mentira. (...) Atente-se na letra do tema de apresentação “Sushibaby“. Deliciosa mais que as cerejas…O disco abre com quatro doces canções. De uma colheita já conhecida. Depois quatro temas em estado bruto. Zona mais rock do disco. Para o fim mais quatro temas saltitantes, onde as guitarras se deixam embeber por um algodão doce pintado de cor de rosa. Estamos assim perante um disco circular, que gira sobre si mesmo como um carrossel. (...) não se perde aquele lado mais cru (no bom sentido) e mais directo ao coração do som dos Oioai."

Outras músicas aqui e aqui...

"Amo-te mais água que as torneiras. Amo-te muito mais alto que as nuvens. Amo-te mais vento que as tempestades. Amo-te mais. Amo-te mais palavras que um livro. Amo-te muito mais noites que o verão. Amo-te mais longe do que o Japão. Amo-te mais mais... Amo-te mais mais... Amo-te mais e mais e mais e mais e mais" - Sushi Baby

"Eu sei que tu és demasiado bonita para mim, mas um dia eu não vou ter medo de te dizer para vires viver comigo para um sítio qualquer de onde se veja o mar e ter longas conversas sob a luz, de pernas entrelaçadas eu faço a minha arte e tu fazes a tua. Fazemos as nossas artes e eu tiro o cabelo da frente dos teus olhos. Vais ficar a saber também que quando não estás a olhar para mim eu desapareço e que quando não chove estou a pensar em ti. Todas as tuas ausências são o meu pesadelo e a minha vontade de agarrar-me aos teus pés descalços..." - Demasiado Bonita

domingo, janeiro 21, 2007

O Caetano conhece-me.

Um dia a areia branca teus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos na água azul do mar. Janelas e portas vão-se abrir p’ra ver você chegar e ao se sentir em casa sorrindo vai chorar.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história p’ra contar de um mundo tão distante, debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante.
As luzes e o colorido que você vê agora, nas ruas por onde anda, na casa onde mora. Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente. Você só deseja, agora, voltar para a sua gente.


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história p’ra contar de um mundo tão distante, debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante.
Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho. Um dia vou ver você chegando num sorriso pisando a areia branca que é seu paraíso.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história p’ra contar de um mundo tão distante, debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Para pergun... responderes.

I
"A quem passar:
Se te perguntasse se me podias perguntar o que preciso que me perguntes e o que me queres perguntar, o que é que me perguntavas?"
(numa parede de uma rua algures por aqui perto. lisboa tem destas coisas.)
II

(Que não te falte nada.)

http://www.anos60.com/portugal/carlos_paiao/conteudo.htm - De mão em mão

III
...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

"Não sabe o tempo, nem sei eu, por quanto tempo mais dará para estender isto (...) que quase chega a roçar a loucura."

Há uma enfiada de portas fechadas desde aqui até aí. São portas todas iguais, alinhadas pelas fechaduras que, de tão estreitas, não deixam chegar aqui a claridade que faz aí.
De quando a quando, se o sol se digna a espraiar-se até aqui, chega a perceber-se que, mesmo assim, por aí o dia é bem mais solarengo.
As portas não têm número nem dono seguro. Hoje são mais as minhas. Amanhã vão ser mais as tuas e depois também serão. Sim, porque são sempre mais vezes tuas.
E os passos que me separaram da primeira porta foram dados antes dos teus. Já foram andados. Depois, fiquei quieta. Uma mão na chave, outra no puxador e o joelho contra a porta.
Aí, as portas devem ter trincos e fechaduras que pões e tiras constantemente. Para salvaguardares esse lado, penso. Mas não tens necessidade, digo. A parte das portas que me cabe muda com o mudar do tempo. Como a parte das portas que te cabe. Assim, não tens por que fazê-lo. Garantires a primeira porta trancada, quando ninguém desimpede o caminho, da enfiada de portas que existem, sozinho? Não tens necessidade, garanto.
Desse lado há um passo dado de tempos a tempos. E adivinho nele a intenção de outro trinco. Sim, porque não sei se os pões. Digo-o por dizer, porque só conheço a fechadura deste lado. E a madeira que desvanece os sons, até da certeza dos passos daí me priva.
Há momentos em que uma mão larga a chave e depois a outra o puxador. O joelho já dói e fica só a testa contra a porta. Se me deixo sentar na soleira fria da primeira porta, da fechadura, que de tão estreita não me permite clarezas nem certezas, vem um olhar dado e estranhamente retribuído, um sorriso forasteiro no canto do lábio e um gesto percebido que acaba, inevitavelmente, com um passo precipitado e escusado dado atrás. E outro adiante, que se lhe segue. E nesse, dado para diante, inventas outra volta para a chave. Quase de certeza. Porque não ouço.
Mas não tens por que dá-la. Desse lado não deves perceber quando digo que não tens por que dá-la. Nem que me conviesse - e convém - depor todas as portas, há sempre aquelas que cabem só aos movimentos que tu próprio dás no sentido de as abrir.
Exclusivamente a ti.
Por isso, não te percas a resguardar esse lado.
Há uma enfiada de portas desde aqui até aí. São portas todas iguais, alinhadas pelas fechaduras. E dessas competem-te as bastantes para, sem esforço extra, ficares, naturalmente, protegido.

terça-feira, janeiro 09, 2007

“Eu não sei tanto sobre tanta coisa que às vezes tenho medo de dizer aquelas coisas que fazem chorar. E não me perguntes nada. Eu não sei dizer.”

Há coisas que não cabem nas palavras simples. Por serem tão… (lá está) não dão para se dizer.
Mas o frio que fez hoje de manhã dá para ser dito. Foi frio com sol. Frio sem chuva nem humidade. Frio de Lisboa e mais nada. Frio como eu gosto. Frio daquele que deixa a cara fria, o nariz vermelho e os olhos a chorar.
Mas hoje, se pudesse, ia deitar-me num canto qualquer na foz do Tejo. Fechava os olhos, esperava por aquele vento que volta e meia traz as conversas que alguém perde enquanto passa, a poeira que os pés levantam e prolongava mais um pouco este aperto e este querer-me aí. Se cerrasse os olhos com força talvez me concedesse um desejo e trouxesse o cheiro do mar que morre nas pedras do paredão do meu sítio.
A saudade é como as ondas. Vêm, vão e nunca voltam as mesmas.
Talvez por me lembrar dos fins de tarde ventosos na praia, das caminhadas infindáveis no paredão, daquelas coisas a que só damos o devido valor quando as temos longe, hoje estou mais como eu. Já me detive o bastante para concluir que volta e meia é mesmo assim. Mas hoje estava mesmo capaz de me ir embora.
Ontem. 4º dia. O dia depois do dia especial que por sua vez se seguiu a outro dia e outra noite diferentes.
Dia de virem a rabugice e a impaciência inevitáveis depois de duas noites mal dormidas e de algum cansaço acumulado. Dia de implicar mais, de falar menos. Dia de andar com os olhos a brilhar a ponto de se perceber. Dia de balanços e ponderações. Dia de estar por aqui para não estranhar demais a agitação do mundo.
Atrevo-me a dizer que foi duro vir para cá ainda no domingo. A companhia e a conversa acabaram por ajudar e atenuaram aquela sensação que fica no peito e que se sente mesmo como se lá dentro estivesse qualquer coisa de diferente. E estava. E está.
É bom quando apostamos na felicidade dos outros mesmo quando o tempo que levam a descobri-la nos traz algumas desilusões, frustrações, cansaços, desapontamentos, decepções. No fim vem o conforto de Quem espera mais de mim e de ti e de nós. Esse aconchego nunca falha e só isso permite que se continue no ringue de dentro a travar a “luta por dentro”.
E com isso vêm as coisas que não se explicam. As tais que não cabem nas palavras e por isso não adianta dizê-las. Foram quase três dias repletos dessas coisas que não dão para se dizer, mas nas quais tropeçamos a cada instante.
Foi assim na alegria do caminho, na camaradagem, nas gargalhadas altas e nas conversas sem motivo, nexo ou sentido.
Foi assim no frio, no escuro, na dificuldade, na necessidade de confiar. Foi assim no desconforto e no esforço para por de parte os comodismos. Foi assim nos excessos e nas consequências.
Foi assim quando chegou o momento de nos olharmos, de nos encararmos e de descobrirmos Deus nos nossos traços e a proporção que Lhe cabe do brilho dos nossos olhos.
Foi assim nas certezas, nas dúvidas, nos não sei mas não quero saber, nos não sei mas quero encontrar mais.
Foi assim no silêncio que convidou à oração e no qual desfizemos nós que ainda reprimiam o que tínhamos dentro. Foi assim na dificuldade de nos olharmos nos olhos e de deixarmos transparecer o que nunca tinha sido dito.
Foi assim no sono que já não havia e na serenidade do rosto de quem ainda dorme.
Foi assim no abraço adivinhado e que responde a tudo, mas mais ainda ao que se quer tanto nesse instante.
Foi assim no envio e nas propostas para esta Vida em que “o Amor é a única bagagem que não pode ficar para trás”. Foi assim no balanço final, no regresso, na chuva que já caía no outro lado onde também vamos estando.
Foram, assim, três dias plenos de Ti.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Intervalo das 18

Oh, life is bigger It's bigger than you And you are not me The lengths that I will go to The distance in your eyes Oh no, I've said too much I set it up (chorus) That's me in the corner That's me in the spotlight, I'm losing my religion Trying to keep up with you And I don't know if I can do it Oh no, I've said too much I haven't said enough I thought that I heard you laughing I thought that I heard you sing I think I thought I saw you try Every whisper Of every waking

hour I'm Choosing my confessions Trying to keep an eye on you Like a hurt lost and blinded fool, fool Oh no, I've said too much I set it up Consider this Consider this The hint of the century Consider this The slip that brought me To my knees failed What if all these fantasies Come flailing around Now I've said too much I thought that I heard you laughing I thought that I heard you sing I think I thought I saw you try But that was just a dream That was just a dream (repeat chorus) But that was just a dream Try, cry, why try? That was just a dream Just a dream, just a dream Dream

segunda-feira, janeiro 01, 2007

1 de Janeiro de 2007 quase a passar a 2.

Crónica: Notas desprendidamente soltas.

“Se eu te pudesse dizer o que nunca te direi, tu terias que entender aquilo que nem eu sei.”

Fernando Pessoa
Hoje apetece-me deixar-me estar. Ficar só assim.
Agachar-me com a guitarra, a um canto, e, a olhar, ficar. Só assim.
Imaginar-te trilhar dolorosamente, e numa demora de perfeição, cada traste e cada corda e, por tentativas, adivinhar daí o resultado de cada nota puxada a um dedilhado.
Distinguir tonalidades no som. É o que faço.
(Consomes, deliberadamente, tempo.)
(E, instintivamente, vem o jeito que dás ao queixo - chegas-te - para apurares a afinação.)
E o gosto. Ah… o gosto.
Desemaranho só - mas que bastem - os ternos. E os doces. Que me sobra já o azedume das ilusões. E, por isso, não quero mais.
E o cheiro. Rebusco, também, o cheiro.
(Hoje, o teu cheiro fechou-me as pálpebras.)
Ainda ouço a primeira que estiraste. No tempo que demora a desapegar-se do dedo e a deixar-se largar, até que finalmente soa, esquadrinho as razões que ainda não encontraste, mas que fazes de conta que tens. Como na vida a sério – mas aqui é só o canto e eu nele, com a guitarra comigo.
E os motivos. E sim. Enquanto a unha arranha toda a espessura de nylon ainda há tempo para os motivos, os inconvenientes, as justificações.
E as desvantagens. E o “Não, porque não”. E o ponto que pões a seguir e que acaba com tudo. Mesmo ali.
E é aí que ela soa.
A segunda.
Grave, imperativa, constrangedora.
Então apresso-me. E num esforço meu, e teu de que não dás conta, puxas outra.
Outra.
Não me digas que é mais aguda, suave, compreensiva. É só menos grave, mas imperativa e constrangedora. Sim.
E outra. Escuta! Puxa outra!
(Tempo. Dás-lhe tempo. E eu acabo sempre a dar-lhe tempo, também.)
Demorei-me e não lhe percebi a intenção. Encolho-me, sem remédio, até doer nas apófises espinhosas contra o muro. Está muito frio no canto.

(Tempo. Mais tempo?)

Apressa-te, que eu sofro!
Quero a vida trinada nas duas oitavas mais agudas!

Aras Sé Amu Aicácsap

sábado, dezembro 30, 2006

Vai daí por andar às voltas e falar em palavras (dois pontos)

E porque no outro dia ouvi qualquer coisa resmungada entre-dentes que me soou a "Porque é que eu não apareço no teu blog(ueeee)?" - note-se o prolongamento no "...gueee" como quem está mesmo a pedir um post'zinho exclusivo...
E porque depois de uma referência tão significativa à minha pessoa (ou ao meu Paredão) como:

Eu sei Sara (Sara?Que Sara?) "The Love Boat"... (Love Boat? Porquê Love Boat? Porque ninguém percebe...) é um plágio descarado... (... deixa lá, eu também plagiei alguém!)
Mas o teu Blogg é inspirador... sempre tão refrescante... (Palavra que me perco a tentar perceber com que tom irónico (ou não) ele teria escrito isto.)
Tanta frase inspiradora.... (... e isto!)

E pronto, lá conclui que já ia sendo tempo de fazer algum tipo de referência - que não se resumisse a um link (A)braços de acesso rápido e imediato ao seu poiso na blogosfera, na sidebar de um blog - a alguém que... me diz muito, ah pois me diz muito (quando fala, início de citação "o que nem sempre acontece" fim de citação).
Ora vai daí, e porque isto não se chega aqui e não se (a)manda qualquer coisa a respeito de alguém de tão colossal importância (e de tão descomunal ego), teve que surgir o momento, a oportunidade, a situação ideal (ou não) para o fazer.
E por isso, agora que o moço se vê (lá está!) (a)braços com uma situação tão penosa como arranjar, sem dinheiro e em tempo limitado, a Sala Jovem na qual, convém referir, "está tudo oco" - ouve-se o grgrgrgrgrgr - achei por bem dar-lhe algum tempo de antena, que é coisa que ele até nem exige muito, tamanha é a modéstia e tão exíguo é o ego deste moço:

- solteiro (?!);
- bom rapaz;
- de boas famílias;
- com uma voz de rouxinol;
- com um futuro promissor na elaboração de testes de personalidade para revistas de carácter duvidoso;
- com outro futuro promissor numa arena do circo;
- e que vive a vida tao apaixonada e romanticamente quanto possivel - segundo diz. Eu desconheço.
Ora agora fica a foto que me foi possível obter:

Feita a merecida referência a este jovem eloquente e elegante - note-se a pose com que profere os avisos dominicais na Eucaristia das 11h, (a propósito, chama-se Paulo) - e desfeito o prolongamento no "gueee"... falemos do que interessa:
Ora, nesta primeira foto é-vos apresentada a nossa Sala Jovem, que, nas suas limitações próprias de sala-de-acesso-a-um-palco, tem sido importante no apoio às catequeses do centro e aos encontros de jovens. E vai daí que alguém se lembra, e muito bem, de lhe dar uma cara nova, mais apelativa para que assim se congregue mais sangue novo em torno de tantos assuntos que nos interessam e nos enriquecem.

(Foto indisponível)

Mas aquilo, cravado de uma saínha ?! tão teimosa, mas tão teimosa, estava "tudo oco" e cheio de uma cola solenemente irritante que nos levou o diluente, os esfregões, as luvas, o verniz das unhas, as unhas, a pele... mas que felizmente não chegou ao músculo (vulgo: carne).
E então, fazendo os possíveis por dactilografar qualquer coisa com as falangetas dos cincos dedos da mão, presto aqui a minha homenagem à empreitada, ainda em curso.
E porque eu sou crente, muito crente e tenho uma fé infinita, eterna, imensurável, inacabável no Homem e no resultado que a sua acção desencadeia, acredito... que para além de bonita, lhe vamos apanhar um amor especial, que se vai tornar um espaço íntimo, de encontro, de amigos.
Vá lá! Aparece... também ninguém te paga para ficares a ouvir a Rita Ferro Rodrigues a apresentar o Contacto com o "tio careca"! (suspiro)
Até... à Sala Jovem!
Xis - corações,
Sara à espera das represálias!
=)

"É mais fácil quando todos dão de si o que têm, fazem de um projecto o seu, de uma actividade a sua. Deixam umas horas de café, de TV, jogos de computador ou de namoro para simplesmente estar disponíveis. E (...) foi uma prova de que em Ilhavo, temos jovens em pleno, de qualidade e atitude, com vontade de trabalhar... Com Jesus Cristo no seu caminhar!"
Paulo Nunes - Dia Mundial da Juventude 04

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Às voltas.

Vejo-te mas não te conheço ainda. Quero conhecer-te mas não sei que palavras inventar para te puxar para a minha vida.

Fica comigo esta noite - Inês Pedrosa

quinta-feira, dezembro 28, 2006

A propósito.

A tua caminhada ainda não terminou. A realidade acolhe-te dizendo que à tua frente o horizonte da vida necessita das tuas palavras e do teu silêncio. Se amanhã tiveres saudades, lembra-te da fantasia e sonha com a próxima vitória. Vitória que nenhuma arma do mundo poderá alguma vez obter porque é uma vitória que surge da paz e não do ressentimento. Claro que vais encontrar situações tempestuosas, mas há que ver o lado bom da chuva e não a faceta do raio que destrói. Se não consegues compreender que o céu deve estar dentro de ti, é inútil procurá-lo acima das nuvens ou ao lado das estrelas. Por mais que erres ou tenhas errado, há esperança enquanto te envergonhares desses erros. És jovem. Atender a quem de ti necessita é belo, mas lutar por quem te rejeita é roçar a perfeição. A juventude precisa de sonhos para se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa de água e o coração necessita de afecto. Não faças de amanhã o sinónimo de “nunca”, nem o ontem sinónimo de “nunca mais”. As tuas pegadas estão marcadas, olha para trás mas não pares e vai em frente porque há quem precise delas para te seguir.

Charles Chaplin

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Untitled



Sabes onde é que há coisas que te tiram mesmo, mesmo mas mesmo do sério?!
Não? 'Tão cala-te!
Pensamento do dia:
Pior do que fazer apontamentos de Histologia, só mesmo virar-lhes o xarope da tosse por cima.

Há dias assim ...
(cof cof)

terça-feira, dezembro 26, 2006

Estou de trovoada...

- Ai… mas que trovoada, não achas Becas?! Becas, Becas, consegues dormir com este
barulho todo?
(…)
- Eu tenho muito medo dos trovões e dos relâmpagos. Tu não tens?! É preciso ser muito valente, não achas Becas?
- Egas, Egas… os trovões e os relâmpagos fazem muito barulho, mas sabes qual é a vantagem?
- Não. Diz lá qual é a vantagem das trovoadas Becas…
- Bom, as trovoadas… não te assustes, não te assustes que as trovoadas normalmente não duram muito tempo, vão e vêm. Por isso descansa…

"Sabes, tenho uma ideia. De cada vez que passe um relâmpago vou fingir que é [Deus] a tirar fotografias com o flash. Percebes? Assim, assim tu já não tens medo..."

... porque é que não és tu a ter O medo?

domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal

Um Santo e Feliz Natal aos resistentes que ainda vão passando por aqui.
Um abraço muuiitoo apertado.

(Fazei o obséquio de clicar na imagem!)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Resumindo e concluindo

Digo que importa muito, e tudo, ter uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar, venha o que vier, suceda o que suceder, trabalhe-se o que se trabalhar, murmure quem murmurar, quer lá se chegue, quer se morra pelo caminho, ou não se tenha ânimo para as dificuldades que nele há, quer se acabe o mundo.




Sta Teresa de Jesus

"Já agora... vale a pena pensar nisto!"
Para mais tarde recordar:
Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar. Uma é minha, outra é tua, outra é de quem a apanhar!
... e eu ponho a chaleira ao lume =p

terça-feira, dezembro 19, 2006

Para ti. Hoje é um dia especial.

" For those who question: why we should even try?!"
Who's gonna tell you when It's too late Who's gonna tell you things Aren't so great. You cant go on thinkin' Nothings' wrong but bye Who's gonna drive you home tonight? Who's gonna pick you up When You fall? Who's gonna hang it up When youcall? Who's gonna pay attention To yourdreams? And who's gonna plug their ears Whenyou scream? You can't go on thinkin' Nothings wrong but bye (who's gonna drive you) (who's gonna drive you) Who's

gonna drive you home tonight? (who's gonna drive you home) (bye baby) (bye baby) (bye baby) (byebaby) Who's gonna hold you down When you shake? Who's gonna come around When you break? You can't go on thinkin' Nothin's wrong but bye (Who's gonna drive you) (who's gonna drive you) Who's gonna drive you home tonight? (who's gonna drive you home)Oh you know you can't go on thinkin' Nothin's wrong (Who's gonna drive you) (Who's gonna drive you home) Who's gonna drive you home tonight? (bye baby) (bye baby) (bye baby)

Drive - Cars

" Don't let them tell her that this doesn't work!" - Bob Geldof

http://www.makepovertyhistory.org

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Classificados

Há dias assim... em que se (re)descobre que Deus existe mesmo. E depois dá nisto.
Magui, esta é para recordar. Deves estar a tentar descobrir como fizeste tal proeza, não?! Pois... fica lá na tua!
;)
1beijinho!

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Ser pessoa estrela.

pessoas estrelas. Há estrelas cometas. Os cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam. As estrelas permanecem. Há muita gente cometa.Passam pela vida da gente apenas por instantes; não prende ninguém e a ninguém se prende. Gente sem amigos. Que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença. Assim são muitos artistas. Brilham apenas por instantes nos palcos da vida. E com a mesma rapidez com que apareceram, desapareceram. Assim são os reis e rainhas: de nações, clubes ou concurso de beleza. Assim são rapazes e moças que se enamoram e se deixam com a maior facilidade. Assim são pessoas que vivem numa mesma família e passam pelo outro sem serem presença. Importante é ser estrela. Marcar presença. Ser luz, calor, vida. Amigos são estrelas. Podem passar os anos, dificuldades, distâncias, mas a marca fica no coração. Ser cometa não é ser totalmente amigo. É ser companheiro por instantes. Explorar sentimentos. Aproveitar das pessoas e das situações. É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo. A solidão é o resultado de uma vida cometa. Ninguém fica. Todos passam. E a gente também passa outros. Há necessidade de criar um mundo de estrelas. Todos os dias poder vê-las e senti-las. Todos os dias poder contar com elas. Todos os dias ver sua luz e seu calor. Assim são os verdadeiros amigos. Estrelas na vida da gente. Pode-se contar com eles. Eles são aragem nos momentos de tensão. Luz nos momentos escuros. Pão nos momentos de fraqueza. Segurança nos momentos de desanimo. Olhando os cometas, é bom sentir-se estrela. Marcar presença. Ter vivido e construído uma história pessoal. Ter sido luz para muitos amigos. Ter sido calor para muitos corações. Ser estrela neste mundo passageiro, neste mundo cheio de dificuldades, de pessoas cometas, é um desafio, mas acima de tudo uma recompensa. É nascer e ter vivido, e não apenas existido. Neste Terceiro Milénio, vamos procurar a cada dia fazer a nossa história acontecer. Ser uma estrela para dar condições de que o mundo seja mais amigo, fraterno e solidário. Se isso acontecer também seremos pessoas estrelas nos caminhos e na vida dos irmãos.
D. Fernando Mason, Bispo de Caraguatatuba, Brasil
Obrigada pela "achega", pessoa estrela!
:)

quinta-feira, novembro 30, 2006

A quem vai passando.

Cada um que passa em nossa vida,
Passa sozinho ...
Porque cada pessoa é única,
E nenhuma substitui a outra...
Cada um que passa em nossa vida,
Passa sozinho,
Mas não vai só...
Cada um que passa em nossa vida,
Leva um pouco de nós mesmos,
E deixa um pouco de si mesmo...
Há os que levam muito,
Mas não há os que não levam nada...
Há os que deixam muito,
Mas não há os que não deixam nada...
Esta é a mais bela realidade da vida.
A prova tremenda da importância de cada um,
É que ninguém se aproxima do outro por acaso.

Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, novembro 29, 2006

Comunicados

1º Comunicado

Ontem doei sangue.
Nunca o tinha feito e foi preciso fazê-lo para me aperceber da importância da contribuição daqueles que se dispõem e o fazem.
Nunca tinha pensado no sangue como uma riqueza: é impossível produzi-lo artificialmente e no entanto é sempre necessário e requisitado.



Não dói, não faz mal...
Penso que vai acontecer uma recolha de sangue em ilhavo por esta semana / fim de semana. Não deixem de participar.

"Doar sangue é doar vida!"

P.S. No final há um lanchinho para não sairem de lá a desfalecer... se isso for motivante!


2º Comunicado

E irmos ao cinema?!... Não?!

Quero ir ver o "Flushed Away" com os meus amigos. Grandes e pequenos, novos e velhos. Vá lá... sim, sim?!

Sexta- feira à noite?! Está tudo convocado...

Pelizeeeeee...

Fico à espera de inscrições.

Frase do dia:

"Os amigos sabem escutar os teus silêncios, sabem onde guardar as tuas palavras. Abrem o coração e recebem o que tu tens para dar sem nunca te exigir o que não tens. Choram contigo e cada lágrima que deitas é para eles algo precioso. Os amigos conhecem-te e sabem o que tens dentro de ti. Conhecem os teus defeitos e mesmo assim continuam a amar-te. Acreditam em ti, lutam por ti. Os verdadeiros amigos simplesmente procuram tornar a tua vida mais fácil, mais mágica, mais bonita!"

segunda-feira, novembro 27, 2006

Diz que é uma espécie de Mafalda Veiga!

Hoje uma amiga desafiou a sua veia poética e tentou, sem conseguir, pôr nuns poucos de versos a alquimia das palavras que a Mafalda Veiga põe em cada frase, em cada sentido. Mesmo assim, e porque o que se promete cumpre-se, fica aqui a partilha:

Um dia cinzento

Há dias em que a brisa se cala
E os segredos das folhas teimam em não se soltar
E nesses lugares sem guitarras,
Distante de ti e de mãos atadas,
Resta-te a chuva e a maresia
E a vontade de sonhar...
E se às vezes a mão lenta da chuva
Não te deixar viver nem gritar
Agarra-te ao fundo que há em ti
E nesses dias cinzentos,
Fora do tempo e dos muros que te prendem
Solta-te e deixa-te naufragar
Refrão
E descobre-te nesses lugares cinzentos,
Porque os sonhos também nascem da vontade de gritar...
Quando o peso do caminho já se fizer sentir
E o medo de cair emudecer o grito
Abraça as minhas mãos e deixa-te ficar,
Porque sou cais, sou porto, sou abrigo,
E sou também grito nesse dia cinzento
À espera de te encontrar...

Pseudónimo: Ana Restolho
(lool)

domingo, novembro 26, 2006

Agora olha!...

Só hoje, na lucidez de um novo dia que desponta após uma noite animada e regadinha, chego à conclusão que eras TU!



("Eras tu, a metade de mim eras tuuu!" - Tony Carreira)



Apesar da palidez que aparentas - eu dissse-te: não bebas! - perscrutei uma certa química entre nós!
Mas "a vida é mesmo assim, feita de desencontros" e a propriedade alheia não se cobiça!




Ana, vou sofrer desalmadamente quando passarem por mim outra vez - tu com ele, debaixo do braço.

Ehe*

Obrigada p'la festa! Que muitos anos venham daqui para a frente e que saibas disfrutar da tua maioridade!
1beijinho e o desejo de que me venhas a proporcionar mais momentos na companhia DELE!!!

sábado, novembro 25, 2006

Para a Juliana =) II

Adsum... (eis-me aqui)
























Tecum sum (sou teu)

quarta-feira, novembro 22, 2006

Para a Juliana =)

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira.

O rio não pode voltar.


Ninguém pode voltar.


Voltar é impossível na existência.


Tu podes apenas ir em frente.
O rio precisa de arriscar e entrar no oceano.


E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.


Porque, apenas então, o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.



Baghwan Sree Rajneesh (Osho) - Filósofo Indiano
Note-se que é o rio Tejo!
'Tás lá!
;)

sábado, novembro 18, 2006

Yo quisera.

Yo quisiera poder ser feliz como um pájaro, una flor que ha nascido en el campo y no espera más que la lluvia o el sol. Yo quisiera nascer cada nueva manãna, en la luz de un rayo de sol que desnuda la más alta montanã. Y bajar en la suave llovizna que cae despertando la tierra con el frescor, la claridad del alba. Yo quisiera sentir libretad como un águila, quando abre sis alas y suelta en el valle una sombra fugaz. Y sentirme raíz del mayor de los árboles, el que roza en las nubes sus ramas desnudas y las hace llorar su tristeza en la suave llovizna, que cae despertando la tierra con el frescor, la claridad del alba. Yo quisiera arrasar todas estas murallas, las que callan mi voz en un hueco de sombra y piedra mortal. Y decodificar el sentir de la gente que no sabe o no puede aprender que vivir es mejor que soñar. Es igual que la suave llovizna que cae despertando la tierra con el frescor, la claridad del alba. Yo quisiera morir en un dia de invierno para sentir la lluvia mojarme la cara una última vez. Como sentir tu boca tocándo la mía y aunque solo un instante pensar que no es ese mi último adiós, que morir es cómo essa llovizna que cae despertando la tierra con el frescor, la claridad del alba.

sábado, novembro 11, 2006

Das coisas que me vêm à memória sem eu saber porquê (ponto final)

Há já uns anos visitei uma exposição na Fundação de Serralves.

Umas das obras de arte presentes consistia em dar a cada visitante uma almofada e fazê-lo sentar-se no chão de uma pequena sala.

Entretanto apagavam-se as luzes e era projectado um filme parecido com este, um pouco mais longo, com uma duração de cerca e 5 minutos.

Passado esse tempo a senhora que havida concebido a obra entrava na sala e perguntava aos visitantes o que tinham visto: a opinião era unânime. Toda a gente tinha visto um pôr-do-sol - um pouco monótono, convenhamos.

Isto repetiu-se outras duas vezes. Ao fim de 15 minutos, a ver o mesmo pôr-do-sol filmado numa praia deserta, saímos. À saída recebíamos um planfleto onde explicavam o intuíto da obra. Era um diagnóstico de Amor.

Diz-se que quem está apaixonado vê um ponto verde no lugar do sol, no preciso instante em que este desaparece no horizonte.

Fica a sugestão e a certeza de que o Amor acrescenta sempre algo.

Pelo menos um ponto verde.

quarta-feira, novembro 08, 2006

08/11/06


Hoje estava capaz de me ir embora (...) colocar entre mim e mim o maior espaço possível, esquecer-me do meu nome, dos nomes dos meus amigos, da minha família, do livro que não acabo de escrever e me angustia.

(...)

Hoje estava capaz de me ir embora. Sem espalhafato, sem conversas, sem explicações (...)


Segundo Livro de Crónicas
António Lobo Antunes
Hoje estava capaz de me ir embora.
Queria estar no paredão, aquele santuário.

sábado, novembro 04, 2006

Do Baú

Hoje um amigo trouxe-me à lembrança outro amigo de infância, o Vitinho.
Não sei se achava mais piada ao próprio, ou à almofada com olhos, ou ao desenho animado espalmado, ou à técnica para apagar uma lâmpada animada.
O que eu sei é que a hora do Vitinho era sagrada quando se tratava do "xi-xi e cama", todas as noites.
Também adorava as papas, de cujas campanhas publicitárias surgiu a personagem Vitinho. Lembro-me de as beber num biberão até aos meus 13 anos. É verdade... e mais caricato ainda era o facto de as beber, até, a dormir.
Daí que não possa desresponsabilizar o Vitinho e as papas Milupa pelo considerável aumento em número e volume dos meus adipócitos.
Mas isso já é outra história...

Obrigada p'las memórias Mário!
"Até amanhã!"


O Vitinho foi um desenho animado de grande sucesso em Portugal, cujas transmissões duraram entre os anos de 1986 a 1997.
A transmissão diária das películas "Boa noite, Vitinho!", sempre em horário nobre, atribuíram-lhe picos de audiência e uma admiração consensual: não só por parte das crianças, mas também por pessoas de todas as idades.

Histórico
Em meados de 1986, a
RTP (Radiotelevisão Portuguesa) decidiu lançar um spot diário de animação com o objectivo de criar um 'marco horário' que levasse as crianças a deitarem-se cedo. Nesse sentido, a Milupa Portuguesa (empresa especializada em alimentação infantil, entretanto renomeada Milupa Comercial SA), que possuía um boneco muito carismático nas suas campanhas, decidiu produzir uma película de animação para adormecer as crianças. Desconhecia-se, no entanto, o sucesso que esse desenho animado viria a alcançar.
Após a transmissão da primeira película de animação, seguiram-se três novas com vista a actualizar a primeira.
Recorde-se que os desenhos animados do Vitinho foram transmitidos todos os dias, em horário nobre, durante uma década.


Fonte: Wikipédia

quarta-feira, novembro 01, 2006

À beira do charco - Ao espelho II

Se chover na madrugada em que eu procuro o meu caminho

Será vaga a nostalgia que outro charco faz viver

A canção lânguida e lenta de quem vai devagarinho

Em cada charco uma mágoa que não se pode esquecer



Tenho ideias que não tenho, sentimentos que não sinto

Sou imagem de outra imagem que se fez não sei de quê

Procurando a minha rota, descobrindo o que não minto

E o que mInto atiro fora para nascer outra vez



Não sou forte nem sou pedra nem sou muro levantado

Nem sou obra que se erga pouco a pouco, tempo fora

Antes sou como uma ideia que se despe do passado

Uma planta enraizada na sina da sua hora


Se chover na madrugada em que eu procuro o meu caminho

E eu cair em cada charco mas seguir por onde vou

Deixarei de olhar no rio de todos mas tão baixinho

Porque é mais profundo o charco onde o que vejo é o que sou.



Mafalda Veiga

Charco